segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Sobre a doutrina do cansaço...



"...Aí você cansa. Meio que cansa de tudo. Cansa de fazer de conta que não vê, que não sente, que não lembra. Cansa de omitir tudo aquilo que queria pensar e falar. Cansa de dormir pouco e de comer demais. Cansa de falar quando queria estar muda, de correr quando queria caminhar e de ouvir, quando realmente precisava falar.

E nesse cansar, se percebe exausta de tanto querer e não poder simplesmente porque não era seu. Aí você se revigora de si..."

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Auto ajustes


Acordei relativamente cedo. Entendi finalmente que para não atrasar 20 minutos no trabalho preciso acordar uma hora antes. A graça disso tudo é que nessa hora nova eu acordo bem mais alerta, reduzindo a letargia matinal consideravelmente.

Ao que parecia uma mudança absurdamente grande, principalmente por se tratar de horas de sono a menos, acabou sendo melhor do que o modelo anterior. Sem querer, acreditando que seria a pior das decisões, acabei achando um ponto confortável de despertar e vir ao trabalho.

O mais interessante é que isto pode acontecer em vários outros aspectos da vida. Novo horário de acordar, nova casa, cidade, namorado, fé e por ai vai. As vezes o que parece prenuncio de desastre iminente, como acordar uma hora mais cedo, pode se tornar algo melhor em vários sentidos.

Acho que isto tem a ver com a questão de separar. É, bem isso mesmo: separar as coisas e as pessoas, dissociando as impressões e pré conceitos.

Convencionalmente, dormir uma hora a mais traria um ritmo melhor para meu dia, mas se eu sair do âmbito da convenção, como fiz, e testar um novo modelo, pode ser que aquele novo, que envolve menos horas de sono, garanta uma performance muito melhor durante minhas atividades diurnas.

A gente se preocupa muito em ouvir o outro, os outros, o que a grande maioria das pessoas faz, quer ou sente que nem paramos para prestar atenção se realmente aquilo ali, eleito pela maioria, nos serve de forma positiva.

É esquisito pensar que ainda hoje, com tantas coisas acontecendo por ai que nos impelem a olhar um pouco mais para dentro, insistimos em ignorar o fato e seguimos guiados pelo fluxo da maioria, do par, do conjunto, da sociedade.

O que eu digo não é de forma alguma apologia a um estado de anarquia e sim um despertar para as nossas reais potencialidades, vontades, limites e tudo aquilo que o coletivo não pode definir pois não calça nossos sapatos e não caminham nossas milhas. A nossa historia é somente nossa. Somos singulares.

Também não digo que o coletivo não tenha força ou razão mas a questão aqui é pensarmos até que ponto o coletivo tem sentido nas minhas decisões mais profundas que envolvem tanto meu corpo quanto minha mente e porque não, minha alma.

Minha família, amigos, colegas e mesmo a população em geral podem me ajudar a decidir se determinado lugar é seguro ou perigoso; se aquela moda em evidencia na mídia é boa ou ruim; se determinado supermercado tem as melhores ofertas ou mesmo se determinada pessoa na qual convivemos diariamente é sincera ou não.

Mas estas mesmas pessoas não poderiam me ajudar, por exemplo a achar meu ponto de despertar pela manhã. Isto depende só de meus instintos, meu relógio biológico e outros fatores pessoais e intransferíveis que precisei vivenciar para entender e me ajustar.

Elas poderiam me dizer de suas experiencias em acordar cedo, me contar historias próprias de como se sentem com seus horários e a partir daí eu teria mais informações para complementar minha decisão mas não decidiram por mim. Ou não deveriam decidir por mim.

Se é consenso de massa que dormir uma hora a mais pela manhã traz um despertar mais ativo, porque não funcionaria comigo? Se para ser bonito preciso ser magro, porque não me jogar em dietas? Se para ter status eu preciso de um carro da moda, por que não me comprometer com prestações durante 60 meses? Se acordar todos os dias com alguém ao meu lado significa estabilidade e maturidade, porque não aguentar todos os abusos verbais e morais que isto implica?

São essas pequenas coisinhas, respostas simples e aparentemente ideais que muitas vezes nos deixam longe daquilo que deveria ser nosso ponto pacífico.

E quando começamos a olhar as coisas com nossa própria visão, e não a do outro, entendemos que a vida é bem diferente daquilo que projetamos.

Viver é coletivo mas pensar é sempre singular.


terça-feira, 18 de novembro de 2014

A menina do futuro


Ela estava ali, entre seus vinis riscados e agora molhados pelo numero incalculável de lagrimas que havia deixado correr de seu rosto quando a outra apareceu.


- Hey você! Pare já com isso! - Disse a moça de cabelo azul turqueza, alta e esquisita com roupas estranhas e jeito apressado de olhar.


- Quem é você? - Perguntou a moça chorosa limpando as lagrimas dos olhos e do disco que estava abraçando enquanto olhava com total perplexidade a mulher a sua frente que, coincidentemente, se parecia muito com ela, tirando a coloração berrante dos cabelos.- Como você veio para aqui dentro do meu quarto trancado?


- Não interessa garota, o foco agora é você parar de chorar por esse babaca que não  qte dá a mínima! Ele não é o homem da sua vida e por mais que acredite nisso estou aqui para te provar que não é verdade!


- Olha aqui senhora…


- Senhora não pois sou apenas 20 anos mais velha que você.


- Quem é você afinal e oque faz no meu quarto e o mais importante: que te deu o direito de dar pitacos na minha vida amorosa?


- Cruzes Ana Beatriz, você já foi bem mais espertinha, ou você será bem mais espertinha... não sei... - Refletiu a moça de cabelos coloridos com olhar perdido na parede cheia de imagens do Airton Senna - Enfim, eu sou você sua burra! A 20 anos no futuro te dizendo a real pois não é possível aguentar você chorando por causa do Beto! Chora pelo FHC ser presidente, pela confusão das UFIRS - que aliás em julho vira Real e no futuro teremos um poder aquisitivo absurdamente maior e você vai poder comprar todas aquelas maquiagens importadas que tanto vê nas revistas -  mas enfim, sai dessa. Vim aqui te dizer: sai dessa!


A menina olhou com a cara mais desconfiada possível para a moça que estava a sua frente cheia de razões e uma maquiagem fabulosa e pensou que talvez, em 20 anos, as maquiagens seriam fantásticas mesmo ou estava tendo um tipo de surto de cunho futurístico por causa da solidão da solteirice.


- Eu? Daqui 20 anos? E como você veio parar aqui? Daqui a 20 anos vamos ter viagens no tempo? - Gracejou a adolescente em tom de rebeldia


- Olha, exatamente como eu vim parar aqui não sei explicar. Acho que foi o Facebook e as correntes de 10 coisas que você diria a você mesma a 20 anos atrás... Mas o que importa é que estou aqui e tenho que te dizer: ele não é o amor da sua vida e você não vai ficar com ele para sempre!


- Como você sabe? Eu sinto que nascemos um para o outro e tenho certeza que este disco que ele me deu conta toda nossa historia de amor!


- Olha aqui na minha mão. Tá vendo alguma aliança de casamento? E você já ouviu direitinho esse disco? Não reparou que as letras não tem nada a ver com o bilhete que ele te deu? A claro...ainda não começou a estudar inglês.


- Do que você está falando sua louca? Sai do meu quarto e pare de falar do Beto dessa forma. Ele é o amor da minha vida sim. Sai daqui produto da minha imagição deprimida pela saudade!


- Vem aqui - A menina desconfiada não se move - Vem logo Ana Beatriz, não sei quanto tempo eu tenho aqui no passado, para de ser preguiçosa e vem aqui e me belisca.


- Ah! Isso eu faço com prazer. Pode socar também?


- Por sua conta e risco! - falou a mulher muito calmamente.


A jovem sem muita demora se aproximou da mulher. Era incrível que, apesar das roupas de tons sem graça que vestia, o seu perfume, maquiagem e cabelo faziam com que ela se parecessem com uma das modelos de suas revistas preferidas. Sem muitas duvidas pegou o braço da mulher e deu um beliscão daqueles para doer.


- Ai! Porque doeu em mim? - Instantaneamente puxou seu próprio braço com cara de dor.


- Dã...porque beliscou a você mesma! É disso que to falando. Eu sou voce no futuro criatura! Deu para acreditar?


-Ainda não, isso pode ser um fruto muito vivido da minha imaginação… semana passada eu fumei maconha e talvez…


- Para de falar besteira garota! Supondo que eu, quer dizer, que nós estejamos surtando. Ainda assim eu tenho razão e por isso tem que me escutar. O Beto não será o homem da sua vida, você nem vai perder a virgindade com ele - Disse a mulher de cabelos coloridos, cheia de razão - e depois ainda vai namorar o Paulinho que é um tocador de violão que vai chegar na escola no mes que vem. Ainda tem o Elionor que vai se apaixonar perdidamente e querer fugir de casa com ele mas na hora da fuga vai lembrar que não tem para onde ir e desistir…


- O Elionor? Tá loca!?


- Não querida, quando você beija-lo vai entender o porque do largar tudo e fugir...garota... que beijo... mas enfim, e ainda vai namorar uns tantos e ficar com outros tantos até perceber que o homem perfeito não existe.


A menina loira olha para a mulher blue sem saber o que dizer.


- Estou te poupando de tantos momentos desgraçados garota. Presta atenção!


- Sério? A garota olhou para a mulher com mais tristeza que antes e neste momento o  vinil se quebra de tanto que ela apertou contra o peito - Sério mesmo que eu vou namorar tanta gente assim, inclusive o idiota do Elionor, e não vou me casar com o Beto e ter os nossos filhos…


- Junior e Camila? É filhota, não vai. Aliás daqui 20 anos você vai querer distancia de qualquer manifestação de crianças. De baby só bife…


- Bife? Não é possível que você não tenha conseguido casar e ter filhos nesses 20 anos, quer dizer, eu... nós.


- Amiguinha, olha só: 2 mestrados e 1 doutorado, média de 20 salários mínimos por més e um trabalho onde posso exercer minha liberdade de expressão. Esse foi o resultado das noites em claro por caras de merda.


- Vou ser rica? E terminarei a faculdade? Mas solteira para sempre com cara de boneca de cera - Neste momento ela desaba a chorar convulsivamente.


- Hey! Alou! garota você percebeu que conquistou uma vida maravilhosa que hoje, aos 16 sequer imagina ser possível porque fica perdendo tempo e desperdiçando energia com esse Beto que semana que vem vai te trocar pela Marília!


- Marilia! Bem que eu desconfiei!


- Claro sua louca! E certamente ele deve estar lá com ela neste momento enquanto você morre de chorar. Se tivesse celular poderia ligar para ele agora que aposto que ela atenderia… aquela sonsa.


- Celular?


- Ana Beatriz! de tudo que acabei de falar você registrou apenas a palavra “celular”? - berra indignada a moça -  há coisas que você só vai entender daqui 20 anos, não vou te explicar. Sabe os gatos que mamãe não deixa você ter?


- Sei.


- Terá 2 no seu apartamento!


- Um apartamento com gatos para mim? Só meus?


- Totalmente quitado e bem decorado.- Replica orgulhosamente a moça do futuro.


- Moro sozinha com gatos?


- É.


- Ameudeus virei solteirona no futuro - A menina começa a soluçar novamente certa de que seu futuro seria uma bosta -  Que adianta ter dinheiro, emprego, apartamento e gatos se sou... solteira e não tenho filhos?! Vou ficar para titia!


- Larga de ser besta garota. Olha bem para mim! Não existem titias no futuro! Você vai poder escolher seus pares e vai mandar longe os Betos que aparecerem.


- O Beto volta? Como ele fica daqui 20 anos?


- Gordo, feio e cobrador de ônibus - responde com desinteresse
.
- Sério?


- Claro que não, infelizmente Ele é um executivo sacana e mora em uma cidade distante e tem 5 filhos de...Marília.


- Ele casa com a Marilia?! Esse bosta vai casar com aquela tábua da Marília. E vai ficar rico e com 5 filhos?


- E a Marília é médica


- Mé-di-ca? Filhadaputa dessa Marília!


- Mas não se preocupa que a licença dela foi caçada por mau uso da profissão e o marido dela tem 3 amantes. Uma em cada estado.


- Bem feito! Agora fico mais tranquila... como você sabe?


- Facebook, orkut e linkedin. Redes sociais virtuais... coisas de internet que são muito mais informativos do que cartas ou amigas fofoqueiras.


- Internet... então ela te diz tudo sobre ele? Sem você perguntar nada?


- Claro que não, eu pesquiso a vida dele e…


- Ah! Então você pesquisa a vida dele através dessa tal de internet ao invez de pessoas foqueiras!? Então você ainda se importa com a vida dele mesmo depois de 20 anos levando um fora?! Aliás, eu levo um fora?


- Sim, leva um fora mas espero que depois dessa conversa você tome vergonha na cara e pare de sofrer por ele e por todos os futuros caras.


- Você namora? Eu namoro no futuro de 20 anos?


- Olha, você/eu estamos tentando namorar mas ficamos exigentes demais. É o preço que se paga pela maturidade... Mas nós estamos com um carinha sim e estamos curtindo.


- Vamos casar com ele? Ele parece alguém que eu, quer dizer, que nós conhecemos?


- Lembra alguém sim, já que você comentou… - responde vagamente a mulher.


- Quem? Quero ter uma idéia do meu futuro namorado para saber se pode ser pai dos meus filhos!


- No futuro nós não somos desesperadas por matrimonio Ana Beatriz. Acalma esses hormônios pois no máximo se mora junto.


- Uau! Ultra modernas nós somos no futuro! Mas conta, como ele chama?


- Luiz Alberto.


- É um Beto tb?


- Não havia parado para pensar mas… É um Beto também.


A menina olha com muita suspeita para sua visão futurística e pergunta com bastante calma e seriedade:


- E ele parece com quem?


- O Alberto? Ele se parece… - silencio constrangedor no ar - Acho que ele se parece com o Beto.

No instante que a menina indignada arregala os olhos e abre a boca para começar a falar...Puff. A mulher Ana Beatriz desaparece.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Além...


Então... eu começo a acreditar que não existem despedidas. Acho até que essa coisa chorosa, triste e emocionalmente incontrolável não caracteriza uma despedida.

Não sei se estou certa ou errada. Talvez não exista mais despedidas para mim. No começo eu chorava de saudades, depois os olhos marejavam de lagrimas. Tinha vezes que ficava semanas lembrando como faria falta viver aqueles momentos naqueles lugares ou com aquelas pessoas que eu provavelmente não veria mais.

Acho que era sensação de perda mesmo. Saber que aquilo ou aqueles não fariam parte dos meus dias de forma presente, fisica, real e imediata.

Também penso que o tempo que a gente passa conquistando e "perdendo" é eterno ou passageiro de acordo com nosso modo de pensar. Acho que estou confusa pois não sinto a falta agora. Nesse exato momento me sinto completamente cheia de alguém que não pertece mais aos meus dias.

E o mais engraçado é que tudo permanece tranquilo e a certeza da companhia segue comigo de forma tão intensa que nem parece que algo se quebrou, caminhos se descruzaram ou perderam a direção paralela.

Disso tudo eu entendo uma coisa, ou duas. Não sei. Apenas sinto que nada termina sem chegar ao fim de tudo e esse fim, dentro de uma eternidade demora muito para chegar. E nesse pensamento consigo crer piamente que não se separam algumas pessoas que já andam juntas a muito tempo, antes do tempo de agora, no tempo em que não lembramos nossos rostos e historias.

Acho até que entendo cada vez mais claramente o feliz reencontro. E como é reencontro a gente se esbarra assim como se esbarrou outras vezes, pois existem mais ligações do que essa de agora que parece se quebrar.

Não. Para algumas coisas, pessoas e lugares não existem despedidas. Eles fazem parte de nossa eternidade e sempre, ainda que o tempo seja o fator que confunda os olhares, havera a alegria de reencontrar, como se nada tivesse mudado, embora tudo seja diferente.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Pó de lua



Já foi.
Não há madrugada.
Ainda é dia e parece que nada aconteceu pois tudo foi rápido.
Pó de lua, nua e crua. Reflete em mim tudo aquilo que fiz em você.

Não comece ainda antes de partir
Há um segredo la fora esperando o tempo certo para se descobrir
As ruas quietas, as mentes alertas e a sensação quase certa de que não estas mais aqui.

Olhando para mim eu vejo um vulto.
Quase um intruso lento que perturba um tumulto que acontece não muito longe do meu coração

Abri os olhos antes de terminar o pensamento
Senti o vento e percebi que a tempestade anuncia que algo não vai bem aqui dentro. Dentro do meu firmamento eu sigo querendo fugir.

Não comece ainda antes de me ouvir
Há coisas acontecendo lá fora esperando o tempo certo para sumir
Há riquezas querendo comprar, corpos querendo abraçar e rosto que nunca vi parecem pertencer ao mesmo lugar que vim

Daqui de dentro, minha ótica turva me mostra qual diferente estou.
Como se tudo que sou valesse apenas para comprovar o todo errado que há em mim

Fecho novamente os olhos e vejo tudo tão claramente. As idéias que surgem, as pistas que desvendo e tudo o que deve ser ficou.
As riquezas os corpos e os rostos já não são tão ostis e comuns. Vem como nuvens, nuvens de pó, um pó de lua que me faz brilhar para refletir você.

Já foi.
Não há madrugada.
Ainda é dia e parece que nada aconteceu pois tudo foi rápido.
Pó de lua, nua e crua. Reflete em mim tudo aquilo que fiz em você.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

E chega o fim que é o começo

E chega o fim que é o começo

Então pode ser que a nossa infancia tenha sido mais feliz, diferente. Por este motivo assistimos ainda desenhos e jogamos videogames e pode ser que este habito se estenda até a nossa velhice. É a tendencia.
A tendencia também é a gente esperar menos da vida, esperar menos emoções, mascarar mais os sentimentos e sair por ai vivendo com a cara mais blasé possível quando na verdade a gente queria estar livre.

Quando eu era mais nova - pensando bem a questão não é a idade e sim a maturidade - mais imatura as coisas que envolviam sentimentos eram tão grandes e avassaladoras e hoje estão mais desconfiadas e contidas. Eu me lembro que sempre achava romanticamente que haveria o UM que chegaria e acabaria de forma muito anatomica (com a realidade que estivéssemos inseridos) passando o resto de seus dias junto aos meus.

Ai você teima nessa filosofia, leva uns tropeços da vida por conta de estar em desalinho com a realidade e passa a entender que existem mais variáveis do que aquelas que acreditávamos até então, serem as mais acertadas.

Mudamos a postura, o medo faz fechar certas guardas e criamos mecanismos que dificultam o "se doar".
Obviamente a vida perde a graça agitada da paixão mas a gente que nem é bobo nem nada acha outras formas de estravasar estas emoções todas: implicando com a jornada de trabalho, cantando, correndo, brigando com o vizinho, fazendo terapia e por ai vai.

Mas o importante é que nossa mente consegue driblar essa sensação de perder que fica com a maturação dos sentimentos e seguimos seja lá para onde for. Eu desconfio que isto seja um processo natural que mais dia menos dia, nos damos conta. Sozinhos.
Sei lá...não gosto disso.

Não gosto de perceber que cresci e que, mesmo ao tentar recriar toda aquela atmosfera interna que antes era muito natural, não consigo.

E quando me vejo pensando assim, neste lugar que estou, ouvindo as musicas que escuto percebo que uma coisa ainda resta de tudo isso... a poesia.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Sobre batalhas e letras


Nesses últimos dias eu estou muito escritora. Escrevo meus livros, escrevo cartas, escrevo aqui ( o que não fazia a muito tempo...)

Hoje, aliás esta semana eu estou me sentindo mais integrada. Socialmente, num nível universal da coisa toda, como se eu agora, finalmente tivesse entendido alguns motivos de algumas circunstancias.

Acho que novamente é aquela coisa louca de começar a colocar as energias para rodar e fazer as coisas acontecerem. Me sinto bem quando estou "lutando" por algo ou alguma coisa seja qual for o ambito. Parece que me renova e me dá um animo maior até quando algumas batalhas ficam perdidas.

Acho que em alguma vida passada, levando em consideração toda a minha eternidade, devo ter sido muitas vezes uma guerreira que saia a campo para defender os seus ou mesmo uma pessoa que precisava lutar muito para conquistar suas coisas. Isso me parece muito inato em mim.

Não vem me dizer que isto é normal do ser humano pq tem muita gente que se esconde dentro da casquinha ao menor sinal de "mudança" a vista. Tem gente que tem medo de enfrentar e vive dentro de uma redoma, que eu chamaria de ilusão, esperando a coisa toda passar. Só que não passa né pois a gente tem que fazer elas passarem.

Enfim...talvez um dia isso tudo canse e eu venha a curtir a calmaria mas acho que vai demorar um pouco. Ainda tem muito sangue quente correndo aqui dentro que me faz ir atras das mudanças e faze-las acontecer custe o que custar.

Mas enfim...vou dormir pois amanhã é um novo dia cheio de novidades, hora felizes, hora não tão felizes para celebrar essa coisa doida e incrivel que é viver.

domingo, 4 de maio de 2014

Reflexos


Hoje acordei meio preocupada, com uma sensação de urgência misturada com impossibilidade de fazer algo. Sonhei que haviam guerras nas Américas e o mundo todo se convergia para elas e neste cenário a autoridade militar tomava conta da situação tal qual um golpe de estado misturado com cenas de filmes da Marvel.

Mas na realidade não é nada disso que me preocupa hoje porque esta guerra tem reflexos diretos com a que acontece dentro de mim. Hoje eu vivo no mundo de forma bem distante das corriqueirices, tentando entrar para dentro de mim, me conhecer e me melhorar para alguma coisa maior que acredito que exista depois disto tudo.

Na verdade não sei o que significa exatamente aquele lance de "macacos" e "bananas" e um cara com um nome comum envolvido, imagino que seja um jogador de futebol famoso. Ando alienada do mundo. Não vejo TV aberta, não entro no transe coletivo que os canais populares gostam de nos induzir com noticias tristes e dramáticas.

Também tenho evitado o drama pessoal. O gasto desnecessário de energias tentando ser alguma coisa proxima aquilo que os outros desejam dentro de nós. Esta parte é mais complicada mas tenho tentado me abster desta "desonestidade" voluntaria que todos os dias provocamos dentro de nós.

Me sinto só. Andando calmamente no meio de uma multidão amalucada e perdida sem conseguir muita interação. Acho que cansei de tentar ser alguma coisa por causa das pessoas e resolvi tentar ser algo ou alguém por minha causa.

Esse desvincular com a realidade da condição humana atual, cheia de foco no que vê, copiando coisas que não sente para dentro de si e re-significando as coisas naturais, é um pouco cansativo mas me permite pensar por mim mesma. A medida que penso sob um ponto de vista mais liberto de influencias comuns eu posso estudar, testar e aprender melhor e isto envolve praticamente todos os aspectos daquilo que se chama viver.

Mas a medida que aprendemos enxergamos algumas coisas mais claramente e com suas cores mais sinceras e reais e isto muda rumos, ideais, sonhos e vontades que eram tão certas, tão sinceramente perfeitas para nossas vidas que chegam a desnortear quando se mostram ilusórias e pouco eficientes para nosso bem comum e até da sociedade em geral.

Eu ando neste labirinto agora. Exatamente agora meus olhos abriram e repensei meus desejos e sonhos e entendi que são mais simples do que eu imaginada. Simples, calmos e constantes. Isto seria perfeito se não fosse tão complicado perceber que, embora eu consiga hoje, redefinir meus pontos de vista, mudar os rumos errados e acertar a rota de forma mais simples, não é fácil.

É como se esvaziar e se encher novamente de coisas que não se sabe onde buscar. Aparentemente é um tipo de reeducação que te leva longe demais, nos recôncavos mais distantes que existem dentro da gente e que, ironicamente nos deixa de fora daquilo que acreditávamos que éramos nós.

Reflexos de confusão, uma rebordosa de sentimentos e sensações e um caminho. É claro que nestas condições, quando estamos totalmente despidos de nossa zona de conforto de vida, a confusão se instala e não sabemos ao certo como e por onde começar a organizar os novos pensamentos, ideias e sonho que passarão a viver dentro de nós.

Acho que a um tempo atras, nestes quase 15 anos de blog eu já disse que geralmente sei o que não quero. E realmente desta vez eu também tenho a exata noção de coisas que não são boas para mim e não deverão fazer parte dos meus dias em breve, ainda que isto vá causar grandes mudanças ao redor.

Mas a grande pergunta que me pego filosofando é: O que eu quero?

Dentro dessa logica de simples, calmo e eterno, o que é que significa "o que eu quero".