segunda-feira, 29 de setembro de 2008

sábado, 27 de setembro de 2008

Este dia


Este dia para mim começou a existir lá no final na década de 70. Exatamente este dia, nestas horas.
Eu não nasci neste dia e nem sequer perto destas horas. Mas este dia foi tão presente nos anos da minha vida como é hoje.

Este dia já foi década de 80, 90, 00, século XX, século XI;
Neste dia eu brinquei de bonecas, ganhei brinquedos, fiz amigos, os perdi;
Andei de burca, cantei canções com perfeição e outras de forma totalmente amadora;
Eu representei peças de teatro na escola, na igreja, fui índio, fui fada;
Falei inglês, frances, comi comidas estranhas, gostei e algumas vomitei;
Andei de carro, aprendi a dirigir, bati o carro que peguei escondido;
Fiz prova de vestibular, beijei na boca, fui beijada, comprei roupas e dei presentes;
Cantei em coral, andei por corredores de internato para entrar no quarto das amigas, assisti cultos, fiz bilhetes, andei por campos floridos, olhei pássaros voando;
Mudei de país, de estado, de cidade, de bairro e algumas vezes de planeta;
Brinquei com gatos, cachorros, peixes, pássaros, tartatugas, coelhos e com fogo;
Me queimei no fogão, me afoguei em caiaque, andei na garupa de moto, dirigi moto e cai;
Ouvi musica sertaneja, beatles na estrada, ouvi histórias e conheci pessoas;
Fiquei em bons hoteis, péssimos hotéis e em praça sem ter onde ir;
Contei histórias, mentiras, fiz rimas, enganei, salvei e acalentei;
Senti calor e cai na piscina, me joguei contra as ondas do mar e fiquei com alergia;
Olhei a chuva, senti o vento no meu rosto, liguei para amigos, briguei com inimigos e parentes, percebi que são bem parecidos;
Eu comprei e ganhei. Me matriculei e me cancelei, aprendi e ensinei.

Todos estes dias foram a forja para este de hoje. Exatamente igual: brilhantes, únicos e inesquecivelmente vicerais.
O dia de hoje tem uma iluminação a mais. A iluminação da percepção de que todos passaram e outros iguais...exatamente iguais... virão e serão particurmente distintos, embora os mesmos, e eu serei a mesma...apenas com mais um acréscimo nas longas linhas da minha coleção deles.

Heis ai a fascinante constatação de estar vivo e pertencer...É como um carimbo no espirito com tinta eterna...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Lembranças



Eu me lembro que em 1998 mais ou menos eu fiquei em casa por vários meses trancada, pintando quadros, móveis, fazendo esculturas...A menor aproximação de "gentes" estranhas naquela época me embrulhava o estomago.

Para o bem do meu "organismo", fiquei em casa com os gatos, cachorros e todo aquele verde e tranquilidade local...minha familia toda estava viajando na época, com exceção da minha prima que mais "não estava" do que presente.

Foi muito redentor pintar, desenhar, criar. Me renovou como pessoinha bebê que tentava se encontrar...o engraçado é que as cores sempre foram vivas...com exceção de um painel que era uma grande área azul (o mar) com destroços de um barco de pescadores...

Era sindrome do pânico e eu não sabia naquela época...e olha que eu ia religiosamente na psicologa toda semana (exercício fundamental para orfãos precoces)...há coisas que não devemos saber mesmo...

Algumas não devemos falar. Outras devemos ouvir...e quando nada disto é suficiente...devemos criar.

Eu devo criar...sem sindromes de pânico mas com a delicada intimidade que há entre mim e as idéias...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Medo de escuro

Medo de escuro


Medo de escuro...

Hoje eu não quero dormir no escuro. Tem um medo chegando de uma solidão que já existia a muito tempo quando tudo fica sem luz...mas parece que exatamente hoje ela vai ser mais notória, abusiva e inquisidora.

No escuro todo mundo está sozinho. O mundo da imaginação passa a ser o guia de todas as nossas movimentações. Todos os registros de memória se tornam nossa referência neste estado de escuridão.

Hoje eu tenho medo do escuro. Um medo crescente de todas estas imaginações que crescem a medida q a luz do sol vai embora. As sombras parecem desenhos antigos de ações que ainda não aconteceram.

E não adianta você me abraçar quando a luz faltar e nem falar comigo palavras doces e adequadas pois não vou te ver. Não terei teus olhos nos meus e tão pouco a certeza das tuas palavras. Posso imaginar que você me abraça e me diz coisas assim.

Eu tenho medo do escuro de hoje. Não quero dormir. Nem quero ficar só. Mas meu querer ainda não está certo de que consegue mudar esta noite.

domingo, 21 de setembro de 2008

então...estav aeu trabalhando neste mega domingo sonolento e meio friozinho dos pampas...rendeu bastante pela calma calculada dos mensageiros eletrônico e então resolvi cantar...que tragédia..e pensar que um dia eu fui soprano...a coca-cola, o leite e o total despreparo acabaram com a minha vóz...confesso que foi triste ouvir meus pequenos spots...cantar para mim sempre foi um conector com alguma coisa além da nossa própria visão...mas acho q se eu continuar com essa voz totalmente mal educada vão me jogar "ovos" advindos deste lugar além...

Os graves ainda estão funcionando bem...mas estou cheeeeia de vicios...preciso urgente começar a cantar dentro do carro...

desencanei e fui ouvir the clash...should i stay or should i go...adoro esta musica...me traz boas lembranças...e a letra é muito simpática tb...

Esse fim de semana foi corrido e improvisado...aos poucos e naturalmente as coisas estão voltando à sua normalidade social...nem me cansei desta vez...acho que estava com certa saudade da minha rotina nada rotineira...

Então, neste cenário não pude deixar de observar as coisas se organizando por si e as poeiras acentando...em termos mais místicos os ciclos fechando e as renovações sendo suavemente absorvidas para o diáfano porém latente estado de ser...complexo...

Eu tenho coisas para escrever aqui mas prefiro ficar em silêncio...já não tenho mais pressa em dizer as coisas que penso e nem de fazer algumas outras acontecerem. Aprendi a respeitar o tempo. As minhas vontades ainda são imperiosas mas lentamente consigo faze-las mais amenas...não imagino mais tanto quanto antes pois essas imagens são vivas demais para lidar com elas, ainda estou aprendendo a viver como um guerreiro e confesso que é mais fácil ser Iris.

Tenho sonhos, não tenho mais tantos medos, eu amo.

Vou assistir filmes e dar sequencia a esta noite tranquila de domingo...vou deixar aqui um presentinho:



boa semana!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Ultimamente estou tentando viver como uma guerreira...seja samurai, o qual tem mais sentido devido a arte da espada que é vida dentro de mim, ou pelas lendárias formas de de guerreiros indios...que na verdade ambas as artes de guerra, indias ou japonesas, acabam se fundindo de certa forma, na "tribalidade".

Nesta tentativa hoje decidi viver o dia como se fosse um dia de guerreiro. O Sempai e o Sensei sempre disseram que o guerreiro vai para a guerra sem saber se vai voltar vivo. E estes dias atrás li em alguma literatura tolteca que guerreiros vivem cada dia como se fosse o último. A intensidade deste dia se modifica totalmente pois eles dão o seu melhor em cada momento.

Hoje foi meu último dia 09/09/08 e realmente foi. Daqui a poucoas horas ele não existirá mais literalmente e eu tentei vivê-lo como se não houvesse amanhã.

Estar em uma guerra requer um foco na atitude que eu não consegui transportar para minha realidade mas fiz alguns dos meus melhores atos dentro do que eu consegui.

Tomei um banho pela manhã pensando como a água é fantástica e a possibilidade de tê-la quente debaixo de um chuveiro é quase uma benção. Claro que me lembrei das coisas que teria de fazer durante o dia, mas fiquei menos presa nesta rotina mental que das outras vezes.

Relembrei do meu primeiro namorado e vivi novamente todas as nossas aventuras numa recaptulação fiel, dentro das possibilidades da minha memória, e foi bom lembrar.

Conversei com pessoas que queria conversar, trabalhei, procurei focar meus objetivos de vida neste dia e fazer as coisas acontecerem dentro deste cenário de hoje:09/09/08.

Bom...paguei contas, receitei remédios, cozinhei um novo prato, vi minhas gatas dormindo, escovei meus dentes e meu aparelhos impecavelmente, peguei trânsito e cuidei para arrancar o carro nos faróis sem dar trancos (consegui algumas vezes) e também não maltratei tanto a terceira marcha.

Terminei minha noite numa conversa muito feliz e regada a suco de maracuja sobre tecnologia, gauchos, paulistas e bahianos com uma companhia amável e voltei pela orla do Guaiba observando as movimentações do acampamento farroupilha.

Foi um dia diferente pois ele foi intenso em todas as minhas ações. Quando eu voltava para casa, passando pela orla do Guaiba pensei "Hoje eu morreria feliz e realizada" - coisa mais morbida conclui...mas era essa a idéia...e depois pensei: a morte do dia é como um ciclo de 24h que acabou. E não volta mais...morreu, findou. Ficou na minha memória e na dos tempos...e não tem nada de morbido e sim de vivo, lúcido e intenso.

Me faz pensar na morte, em um sentido geral, como um ciclo fechando para outro se abrir...Não fiquei com medo...fiquei feliz.

E amanhã morrerei novamente...e todos os meus próximos dias...

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Sintaxe
Um homem contemplando suas equações
disse que o universo teve um começo.
Existiu uma explosão, disse ele.
Um senhor estrondo, e nasceu o universo.
E o universo ainda está em expansão, disse ele.
Ele calculou até mesmo a duração de sua vida:
dez bilhões de revoluções da Terra ao redor do sol.
Todo o globo aplaudiu;
Acharam tais cálculos cientificamente certos.
Ninguém percebeu que, propondo um início para o universo,
o homem simplesmente refletiu a sintaxe de sua língua pátria;
uma sintaxe que exige começos, como um nascimento,
e desenvolvimento, como maturação,
e um final, como a morte, para a realização de qualquer evento.
O universo teve um início,
e está envelhecendo, garantiu-nos tal homem,
e ele irá morrer, já que tudo morre,
como ele mesmo morreu depois de confirmar matematicamente
a sintaxe de sua língua pátria.

Sintaxe II
O universo teve realmente um começo?
A teoria do “big-bang” é realmente correta?
Essas não são perguntas, embora pareçam ser.
A sintaxe que exige começo, desenvolvimento
e término para a descrição de fatos é realmente a única que existe?
Essa é a questão real.
Existem outras sintaxes.
Existe uma, por exemplo, que indica a variação
de intensidade como um fato.
Nessa sintaxe nada tem um começo ou um fim;
desse modo, o nascimento não é algo claro e definido,
mas um tipo específico de intensidade,
do mesmo modo que o amadurecimento e a morte.
Um homem que use tal sintaxe, contemplando suas equações, descobre que
calculou suficientes variações de intensidade
e pode então dizer com autoridade
que o universo não teve um início
e não terá um fim,
mas que ele sempre existiu, existe e existirá
através de intermináveis flutuações de intensidade.
Tal homem pode muito bem concluir que o próprio universo
é a carruagem da intensidade
e que é possível abordá-la
para viajar por caminhos que modificam-se incessantemente.
Ele irá descobrir tudo isso, e muito mais,
talvez sem nunca perceber
que está simplesmente confirmando
a sintaxe de sua língua pátria.