sexta-feira, 6 de maio de 2016

Morte, Gratidão e Amor


Ultimamente, por conta das novas empreitadas que estou me envolvendo tenho me tornado uma pessoa diferente. Ousaria até dizer que estou me transformando numa pessoa melhor.

Percebo isso na quantidade de "Obrigada" sinceros que eu tenhodistribuido. São agradecimentos ricos em gratidão e felicidade por ter recebido a troca com o outro.

Tem também um conjunto de palavras que eu tenho usado de uma forma que nem em meus sonhos mais coloridos eu imaginei proferi-la com tamanha verdade é "Eu te amo". Sim eu finalmente entendi que eu amo do jeito e com a quantidade de amor que cabe em mim. E mesmo esta sendo pouca (ao me ver) é suficiente para distribuir e não ficar sem.

Acho que minha natureza lógica esteve me pregando algumas peças durante muito tempo sobre este sentimento e eu me dei conta agora.

Nas filosofias espiritualistas que eu acredito, existe uma vertente xamanica que fala que a morte é nossa fiel companheira.

Ela vive às nossas costas, como uma mulher japonesa seguindo seu esposo por respeito,  desde o momento do nascimento e a medida que nos desenvolvemos e com o passar dos anos ela vai se aproximando mais até que um dia, quando nossa vida neste planodeve chegar ao fim, ela se aproxima amorosamente e nos toca o ombro.
E neste toque, nossa alma é liberta.

Nesse caminho todo, nosso com a morte ao lado, estes xamanicos costumam conversar com ela longas horas, para se familiarizar com este ente invisível que ganhamos no início do nosso existir.

Esses dias eu conversei com minha morte. Um papo reto como se fala com um amigo. Sem pretenções ou solicitações. Apenas falei que senti ela se aproximando, não com o intuito de me tocar mas de me avisar para me cuidar.

Me cuidei e ela voltou aos 80cm de educação que toda boa morte segue como etiqueta.

Pensar e falar na morte me deu voz para agradecer e amar. A vida é curta, os planos muitas vezes não se realizam e o que fica disto tudo são os aprendizados interiores, os afetos e com um certo esforço, podem ficar também boas lembranças.

Acho que é por isso que estou mais leve, mais viva e mais receptiva e doadora de mim, de minhas histórias e afetos.

Talvez isto tudo seja um acentar de terrenos que vão receber novas sementes em breve. E estas sementes não vem com rótulo logo, não sei quais frutos exatamente sairão desta germinação.

Hoje, a morte, a gratidão e o amor são meus fiéis companheiros