quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

"Porque há para todos nós um problema sério... Este problema é o do medo."
(Antonio Candido, Plataforma de Uma Geração)

Em verdade temos medo.
Nascemos escuro.
As existências são poucas:Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.
E fomos educados para o medo.

Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos riosvadeamos.
Somos apenas uns homense a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,

Doenças galopantes, fomes.
Refugiamo-nos no amor,este célebre sentimento,e o amor faltou: chovia,ventava, fazia frio em São Paulo.
Fazia frio em São Paulo...Nevava.
O medo, com sua capa,nos dissimula e nos berça.

Fiquei com medo de ti,meu companheiro moreno,
De nós, de vós: e de tudo.
Estou com medo da honra.
Assim nos criam burgueses,
Nosso caminho: traçado.

Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?
Vem, harmonia do medo,vem, ó terror das estradas,susto na noite, receiode águas poluídas.
Muletas do homem só.

Ajudai-nos,lentos poderes do láudano.
Até a canção medrosase parte, se transe e cala-se.
Faremos casas de medo,duros tijolos de medo,medrosos caules, repuxos,ruas só de medo e calma.

E com asas de prudência,com resplendores covardes,atingiremos o cimode nossa cauta subida.

O medo, com sua física,tanto produz: carcereiros,edifícios, escritores,este poema; outras vidas.

Tenhamos o maior pavor,
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.
Adeus: vamos para a frente,recuando de olhos acesos.

Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do medo,eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,dançando o baile do medo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Engraçado...eu achei que já estava crescidinha para certas coisas. Meu ano começou a mil por hora...embora minha "interface" esteja serena demais para o turbilhão que está minha mente.

Grandes conquistas, doses cavalares de adrenalina, sonhos, problemas graves e também em dose cavalares. Meus dias ultimamente são vividos um por vez. Sem passado, sem futuro...apenas o hoje. Confesso que é uma boa terapia para tempestade de emoções.

Hoje especialmente estou me sentindo só. Queria muito compartilhar algumas coisas com uma mãe, um pai, um irmão ou mesmo avós mas não dá.

Não queria soluções...queria poder falar...falar das vitórias que são tão minhas e tão grandes, das ansiedades das propostas futuras, do medo de errar, de fazer escolhas incorretas...acho que por isso estou escrevendo um pouco aqui...para dar uma minimizada na vontade de compartilhar as boas e más novas que acontecem aqui dentro.

Tô aprendendo tanto acerca da paciência e da tolerância...esse ano está incrível...e começou a apenas 14 dias...