segunda-feira, 15 de junho de 2015

Sobre almas, poetas e artistas


Há dias estou com uma poesia na cabeça. Dessas que a gente cria a partir de alguns olhares sobre a vida.

Sempre que volto para casa, depois do trabalho e da academia, eu opto por uma estrada mais calma, com uma paisagem mais tranquila, onde sigo a direita nos meus 80km/h justamente para pensar na vida.

Foi num desses pensares solitário no início da noite que me vieram questionamentos sobre mim e minha relação com o mundo num contexto geral: pessoas, lugares, historias e como todos estes aspectos se fundem e me tornam viva.

Aí me dei conta de várias coisas de alma e me percebi poeta. Sim, me percebi com alma de poeta, daqueles bem sensíveis e atentos às questões de dentro, que platonizam, observam e não tocam. Apenas veem, interpretam e transbordam no papel suas visões.

Me dei conta de que alma de poeta é uma alma que absorve, olha profundamente, estuda, se encanta e se espanta mas não toca. Vive dentro do seu mundo inserindo cada vez mais o mundo dos outros no seu contexto sem necessariamente fazer parte dele.

Alma de poeta me pareceu doce, profunda e solitária.

Como haviam muitos quilômetros para percorrer pensei na alma de musico, pintor, escultor. A meu ver é parecida com a alma de poeta mas sem tanto platonismo. O musico sente tocando as pessoas, enquanto o poeta só observa e escreve.

Alma de músico me pareceu intensa, profunda e solitária

Aí pensei na alma de artista no sentido de ator/atriz. Me pareceu uma alma apaixonada, que se entrega sem viver o platonismo do poeta e tocando mais intensamente aquilo que deseja.

Alma de artista me pareceu desvairada, profunda e solitária.

Fiquei imaginando essas almas todas, como se tudo isto que eu conclui na minha viagem de volta para casa pudesse ser verdade.

E nessa fantasia louca me dei conta de que sou poeta demais para tantos artistas e musicos que tem passado na minha vida.

Preciso da minha doçura suave, da profundidade gutural e da solidão que deixa a gente pensar para dentro. Onde eu gosto de estar.

terça-feira, 2 de junho de 2015

De repente...coisificado.


De repente me deu uma tristeza. Talvez uma um pouco mais abrangente do que as tradicionais dos últimos tempos.
Uma sensação de vazio. Alguma coisa provocada pelo descaso das pessoas com o próximo, seus sentimentos.

A gente não tenta mais consertar o quebrado, corrigir o erro ou voltar e começar tudo de novo. A gente simplesmente deixa de lado e vai buscar algo novo. Como se aquilo que se "quebrou" perdesse o valor, a importância, o sentido no primeiro manifesto que não vise nossos interesses.

Sei lá... hoje fiquei triste. Por mim que também sou assim, pelos outros e por aqueles que são atingidos por este tipo de... coisa.

Não queremos ser coisas mas tratamos o outro como se fosse descartável. Não queremos ser, mas somos. Coisificados todos os dias e de tanto que isto acontece, aprendemos a coisificar também.