terça-feira, 22 de agosto de 2017

Enjoo


Sabe daqueles dias que começam bem, mas que ao decorrer das horas o corpo começa a dar sinais de cansaço (ou de alguma coisa que não saberia dizer o que é) e você se vê num mal estar fisico e mental.

Tive enjoo, colica e pensamentos inseguros e ruins sobre mim, sobre os outros e principalmente sobre minha relação com eles.

Na volta para a casa, contando os minutos e parecia que tudo ia mais devagar, eu me lembrei da ultima vez, a uns bons 15 anos, que morei na minha cidade natal.

Me lembrei que era uma menina sem muitos sonhos ou propósitos, saindo da faculdade e se recuperando quase que milagrosamente de um problema na perna (que até hoje é difícil entender o que realmente ocorreu) que me deixou de cama, sem andar, por alguns meses,

Lembro que eu só tinha no coração a certeza de que eu era grata. Sei lá pelo quê, para quem e por quê mas eu era. Não tinha grandes ambições a não ser me recuperar em definitivo e arrumar um emprego.

Lá eu passei fome. Sim, cheguei a ficar vários dias com apenas uma refeição. Vários, dias intermináveis em que eu religiosamente acordava cedo e percorria quilômetros até o posto de empregos em busca de uma vaga.

Naquela época eu estava sozinha no sentido mais integral da palavra. Era o começo do que eu chamo hoje de jornada de cura interior. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo e cada vez que eu roubava um rolo de papel higiênico do SESC ou o sabonete liquido da pia para tomar banho, eu só sabia que tinha que sobreviver.

Era estranho. Havia uma força que se projetada de mim para o mundo que me fazia andar mesmo com a perna ainda em reconstrução, fraca por conta das refeições... Teve épocas que achei q acabaria na rua ou em alguma casa de prostituição. Essa segunda opção me foi oferecida mas acho que eu era tão ingenua que preferi seguir na minha luta pessoal.

Aliás, naquela época acho que a minha falta de malícia na vida me salvou de muitas coisas. Eu estava sozinha e as pessoas que eu confiava acabaram por fazendo opções de vida que não me cabia. Teve muito tempo que tive raiva e mágoa com alguns amigos que se mostraram pessoas ruins que me tiraram o pouco que tinha numa época que precisava tanto... deles e dos parcos recursos e confortos que tinha.

Hoje olhando para trás vejo que foram grandes mestres que me ajudaram a aprender a lutar. Naquela época eu comecei a aprender o significado de sobreviver. Sobrevivi.

Mas algumas sequelas acabam ficando e a medida que o tempo passa, criamos algumas defesas. Eu criei defesas. Não me apego, amo muito poucas pessoas, meu limite de tolerância com a intimidade é muito curto e não trago para dentro da minha vida ninguém que possa, de alguma forma, tirar meus parcos recursos.

Aprendi a viver bem. Dentro daquilo que posso e tolero. Amo infinitamente alguns escolhidos e procuro dia a dia ser uma boa versão de mim mesma.

Acho que era isso que eu precisava vomitar. Pois a sensação que tive no final do dia foi muito próxima da ausência que tive naquela época. Um pouco mais cansada pois meu olhar se tornou mais duro.

Acho que nesses últimos tempos tenho tolerado e intolerado demais e precisava botar para fora, vomitar, liberar. Para entender um pouco do que eu sou e como eu hajo. Ainda me percebo não querendo o mal das pessoas mas também não querendo muitas deles dentro dos meus delicados e poéticos limites de intimidade.

Eu não sei como agir e como receber dentro desses cômodos tão aconchegantemente reclusos. Acho que ainda não quero muito transito neles, embora sejam grandes, alegres e convidativos.

Não sei nem convidar e nem receber. Tenho duvidas se quero aprender. Mas vou descobrir.

Ficou confuso o texto. É vomito. Faz parte da mobilia dos cômodos escondidos dentro de mim.


quarta-feira, 5 de julho de 2017

A Gaia Ciência...



Eu sou vários!
Há multidões em mim.
Na mesa de minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles.
Há um velho, uma criança, um sábio, um tolo.
Você nunca saberá com quem está sentado ou quanto tempo permanecerá com cada um de mim.
Mas prometo que, se nos sentarmos à mesa, nesse ritual sagrado eu lhe entregarei ao menos um dos tantos que sou, e correrei os riscos de estarmos juntos no mesmo plano.
Desde logo, evite ilusões: também tenho um lado mau, ruim, que tento manter preso e que quando se solta me envergonha.
Não sou santo, nem exemplo, infelizmente.
Entre tantos, um dia me descubro, um dia serei eu mesmo, definitivamente.
Como já foi dito: ouse conquistar a ti mesmo. 

Nietzsche - A Gaia Ciência. (via calabarr)

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Abbraccio


Você conhece alguém que faz você sentir aquele friozinho na barriga, alguém que, com o toque, faça você estremecer?

É comum vermos bocas que nos atraiam, sorrisos que nos desmontam e olhares que nos encantam. É comum nos atrairmos pelo perfume bom que fica em nós depois do abraço.

Mas como é difícil aquela conexão mental daquela conversa boa de que você não quer se despedir. De quem faz você abrir o seu coração; aquela conversa boa que permite que você seja simplesmente você.

Como é raro ter alguém para falar das nossas paixões malucas, dos nossos gostos peculiares e dizer ao outro o quanto detestamos dieta.

É raro encontrar alguém com quem a gente possa falar sem medo da reprovação e que ri da nossa risada.

É raro quem queira rir conosco das bobagens dessa vida e que divida as suas piadas mais sem graça nos fazendo rir.

É comum quem chega e arrepia com um beijo ao pé do ouvido, difícil é quem vem e nos arrepia com uma conversa boa, daquelas que você não se cansa, daquelas que dispensa o beijo e aguça o desejo de conhecer mais sobre esse alguém.

É fácil quem vem e faz com que nos apaixonemos pelo jeito que nos olha, difícil é quem vem e queira olhar para a nossa alma e nossa história.

Em um mundo de tantos disfarces e coisas passageiras, é raro quem “perde” o seu tempo com uma conversa boa e, mais ainda, quem nos faz “perder” tempo com ideias interessantes, sonhos cativantes.

É raro pessoas que no fazem querer sempre mais e mais e que entendam as nossas dores. Atrações físicas não são uma raridade, mas conexões mentais não é só raro como nobre e bonito.

Sim, atração física é importante, mas não é tudo e está longe de sustentar uma conversa. Está longe de ser amor ou de nos fazer ter confiança nesse alguém.

Porque bom mesmo é podermos ser nós mesmos e termos alguém que desperte aquela vontade de sermos sempre melhores.

Difícil é quem não olha apenas para as curvas, mas contempla o nosso sorriso, a nossa inteligência e se interesse pelos nossos sonhos. Alguém que se interesse pela nossa vida e que queira escutar sobre o nosso dia a dia tão comum.

Como é empolgante conhecer alguém assim, cuja conversa flui, as ideias coincidem e, mesmo que haja discordância, o outro sabe como respeitar as diferenças, sem tentar impor, sem tentar convencer.

E, então, esse alguém se torna cada vez mais interessante, não pelo beijo, pelo toque ou pelo perfume, mas pela conversa, pela forma como se interessa em nos conhecer de fato.

Esse alguém, para mim, se parece com você.

(Não sei quem é o autor)

terça-feira, 6 de junho de 2017

Embriaguez


Eu tenho fome, tenho sede. Desejo aquilo que não quero. Desconheço o erro, o perigo e o concreto.

Quero dançar com a morte de mãos dadas com a vida para ver se consigo entender suas diferenças.

Quero gritar ao infinito tudo o que eu não tenho e chamar de meu para depois perceber o vazio.

Eu tenho frio. Tenho sono e minha boca está seca de tantos que não bebi.

Fiz a festa para o presente e nada daquilo que convidei sequer apareceu. Ficamos sós, ocos, incertos e furtivos.

Marginal dessa madrugada que ainda não aconteceu, só aqui dentro, em meio ao turbulento clima que se apoderar de mim. 

A palavra existiu.

E como um bálsamo que cura feridas ela se fez. Transcendeu a dor e a confusão. 

Virou poesia, voou para o céu.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Semana de 30 dias



Hoje é quarta-feira... Meio da semana. Mas a intensidade das emoções, acontecimentos e re-significações deram a ela uns 30 dias a mais.

Já fiquei cansada, deprimida, feliz, fui para o inferno e voltei trazendo amigos, meditei e vi coisas que não queria ver. Aceitei e dispensei. Trabalhei, perdi e ganhei.

No computo disso tudo uma coisa é certa: Estou meio cansada e meio em paz. De certa forma, existe uma superação de limites fortíssima acontecendo aqui dentro. Ainda confusa, meio sem norte mas com a certeza de que vou saber escolher as melhores escolhas.

Tenho medo. Sim. Medo talvez seja o maior adjetivo desta semana de 30 dias. Medo de não dar conta, de não conseguir, de errar, de não saber distinguir o que é meu e o que é do outro. Mas ao mesmo tempo, de uma forma singela e protetora, acho que estou caminhando bem. A meditação, o estado de pensar focado e a certeza de que tem coisas que me assustam identificadas me ajuda a definir minhas estratégias e caminhos.


Hoje me vi reclamando de um jogo de xadrez que tenho jogado com um amigo. Olhei as peças, sem estratégia, espalhadas e desalinhadas e pensei: refletindo meus dias até no xadrez. Ali estou perdendo e não consigo aprender. Mas na vida estou aprendendo e não consigo perder. 

Isso é bom, isso é maduro e faz parte da vida de verdade. 

Gosto do que vejo e sinto. 

Ainda que esteja tudo caótico, a certeza do “tudo bem” me deixa em paz.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Iris por mim mesma: A viagem

E cá estou eu mais uma vez. Há, no ar que eu respiro, nos meus movimentos leves e livres e nas paisagens por onde passo, uma novidade, uma vitoria, um suspiro de possibilidades.

Me tornei nova, modifiquei meu corpo e espírito e sigo modificando com o intuito de ser melhorzinha e ter um legado mais altruísta para deixar aos meus.

É engraçado que, a um ano atrás eu me lembro. Em um retiro espiritual em fevereiro onde eu me deparei com a minha unica versão. A real Iris sem máscaras, sem desculpas e sem possibilidades de ser plena.

Foram dias (quantos dias sem fim...) que eu chorei muito, fiquei profundamente triste com o que vi e me senti falha, incompleta de mim mesma e detestei cada nova nuance dessa Iris crua que se mostrava para mim.

Eu tinha apenas duas alternativas mais próximas a seguir, dentro daquilo que sou culturalmente e socialmente falando: renegar profundamente essa real pessoa que se apresentava a mim, tão perdida, triste e sofrida, para seguir vivendo uma falsa ilusão de controle e prosperidade; ou acolhia esse ser humano real que sou, olhando dentro dos olhos daquilo tudo que eu não queria ter e ser, e juntas, eu e eu mesma, buscarmos alternativas possíveis para mudar este quadro feio que se mostrava diante de mim.

Os dias foram longos, difíceis e regados a muitas lagrimas. A decisão era sem volta. Fosse qual fosse, era aquilo que basearia meus futuros dias.

Eu me lembro que as primeiras impressões que tive de mim mesma foram tão cruéis: eu era feia, doente, sem educação, sem empatia, egoísta, sem família... Um erro.

Como eu medito a um tempinho, comecei a meditar sobre estes adjetivos que eu mesma me dei e cheguei ao meu veredito: Se eu tiver que conviver comigo pelo resto dos meus dias neste plano, vai ter que ser uma convivência pacífica e para isso, preciso me aceitar ou me modificar.

Além da meditação, eu sempre gostei dos desafios da vida. Desafios sempre me motivam e dão um refresco nas minhas decisões. A opção era MUDAR.

Comecei o retorno ao bom convívio comigo mesma com duas premissas: Sempre me lembrar o que eu não gostava de mim, descobrir como me tornei assim e buscar alterar esta versão com ajuda de todos e tudo o que pudesse existir.

Nessa viagem toda, hoje, a mais de um ano do start, com muita força, foco e meditação eu posso dizer que:

"...eu era feia (sou linda! E agora por dentro e por fora), doente (meu corpo é sadio, responsivo, condicionado e forte), sem educação (estudo muito mais), sem empatia (o outro passou a ser importante a medida que fui gostando de mim), egoísta (generosa), sem família (com a maior família do universo. Unida e amada)... Um erro (uma correção constante!)..."

Tenho muito a agradecer, a muitos e muitas tanto deste plano quanto de planos estranhos ao nosso. Sinto que acertei o caminho. O meu caminho. O caminho da minha legitimidade, da minha verdade e da minha vida.

Hoje consigo ver as coisas de tudo e todos de uma forma muito mais pacífica, esperançosa e feliz.

Posso dizer que vivo uma plenitude utópica que nunca pensei q existiria. Ainda tenho tristezas, desventuras e muitos perrengues no porvir, mas tenho a minha integralidade. Hoje nutro por mim um respeito e amor muito mais significativo e profundo que me ajuda a seguir vivendo.

Meus amigos, família terrestre, ancestrais de outros planos. Todos tem um significado mais profundo e sagrado. Agradeço a oportunidade de me unir a esta família gigante todos os dias, pois agora aprendo muito com todos eles, seja qual for o nível e energia que trocamos.

Sou plena. Estou fluindo. Disto tudo. Assim que é viver.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Um aniversário



Hoje é aniversário de São Paulo, minha terra. Cidade em que nasci e aprendi a ser eu mesma.

Onde me foram dados valores, culturas, aprendizados profundos que permeiam meus dias até hoje e que a 117 anos abriga meu clã.

Em São paulo, ainda que por menos tempo que eu gostaria, eu ganhei bases sólidas para viver a grande aventura que foi proposta a mim. Por este motivo onde quer que eu vá, em que língua ou sotaque eu fale, com quem quer que me relacione, Sampa, a cidade, ainda se revela dentro de mim.

Acho até que exalo Paulistanice.

Considero muito meus dias por lá, uma grande escola, onde fiz grande parte dos meus verdadeiros amigos que até hoje, mesmo a distância, estão nos meus dias da forma que é possível.

Gosto de pensar em Sampa com minha mentora. Embora eu fale que nunca mais voltaria, que é tudo muito estressante e que eu realmente adoro morar onde eu moro, na verdade eu amo minhas origens e minha terra e tudo o que nela engloba. E amo ser filha dessa loucura toda pois aonde quer que eu vá, esta característica está explicita.

Talvez eu realmente nunca mais more nesta cidade. mas o fato mais interessante e profundo é que ainda que esteja fisicamente separada, Sampa viverá dentro de mim e nas minhas memórias sendo um grande repositório de lembranças vivas e pulsantes.

Sim, sou paulistana para sempre nesta vida. Nada vai tirar de dentro de mim, todo esse legado que gentilmente me foi cedido por lá.

Feliz Aniversário cidade tramposa.

Obrigada por ter abrigado meus antigos desde 1900.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Morte, Gratidão e Amor


Ultimamente, por conta das novas empreitadas que estou me envolvendo tenho me tornado uma pessoa diferente. Ousaria até dizer que estou me transformando numa pessoa melhor.

Percebo isso na quantidade de "Obrigada" sinceros que eu tenhodistribuido. São agradecimentos ricos em gratidão e felicidade por ter recebido a troca com o outro.

Tem também um conjunto de palavras que eu tenho usado de uma forma que nem em meus sonhos mais coloridos eu imaginei proferi-la com tamanha verdade é "Eu te amo". Sim eu finalmente entendi que eu amo do jeito e com a quantidade de amor que cabe em mim. E mesmo esta sendo pouca (ao me ver) é suficiente para distribuir e não ficar sem.

Acho que minha natureza lógica esteve me pregando algumas peças durante muito tempo sobre este sentimento e eu me dei conta agora.

Nas filosofias espiritualistas que eu acredito, existe uma vertente xamanica que fala que a morte é nossa fiel companheira.

Ela vive às nossas costas, como uma mulher japonesa seguindo seu esposo por respeito,  desde o momento do nascimento e a medida que nos desenvolvemos e com o passar dos anos ela vai se aproximando mais até que um dia, quando nossa vida neste planodeve chegar ao fim, ela se aproxima amorosamente e nos toca o ombro.
E neste toque, nossa alma é liberta.

Nesse caminho todo, nosso com a morte ao lado, estes xamanicos costumam conversar com ela longas horas, para se familiarizar com este ente invisível que ganhamos no início do nosso existir.

Esses dias eu conversei com minha morte. Um papo reto como se fala com um amigo. Sem pretenções ou solicitações. Apenas falei que senti ela se aproximando, não com o intuito de me tocar mas de me avisar para me cuidar.

Me cuidei e ela voltou aos 80cm de educação que toda boa morte segue como etiqueta.

Pensar e falar na morte me deu voz para agradecer e amar. A vida é curta, os planos muitas vezes não se realizam e o que fica disto tudo são os aprendizados interiores, os afetos e com um certo esforço, podem ficar também boas lembranças.

Acho que é por isso que estou mais leve, mais viva e mais receptiva e doadora de mim, de minhas histórias e afetos.

Talvez isto tudo seja um acentar de terrenos que vão receber novas sementes em breve. E estas sementes não vem com rótulo logo, não sei quais frutos exatamente sairão desta germinação.

Hoje, a morte, a gratidão e o amor são meus fiéis companheiros

quarta-feira, 30 de março de 2016

Das coisas que se aprende quando está observando o caminho

É... As coisas mudaram por aqui. percepções, ilusões, fantasias e desejos tomaram um novo rumo, foram resignificados e hoje existe uma nova pessoa se reconstruindo dia a dia.

Confesso que é estranho conviver com este novo eu que veio acompanhado de um novo modo de pensar e olhar o mundo. E isto não aconteceu automaticamente e sim foi o resultado de uma série de buscas e jornadas interiores em busca dele: o eu de verdade.

Das coisas que ficaram de aprendizado posso dizer que a maior delas foi olhar, reconhecer e agora conviver de forma realista, com meu ego, meu euzinho, aquele tiraninho que mora dentro da gente e que se mal alimentado tentará o tempo todo nos sabotar.

Acho que por muitos anos, porém não a vida inteira, eu deixei ele ditar as partes mais importantes da minha vida e o resultado claramente foi um tanto quanto desastroso e cômico.

Ah, esse se dar conta... na verdade foi bem menos difícil do que eu imaginava. Compreendeer algumas atitudes, aceitar algumas pequenices que eu disfarçava com arrogâncias e pequenas manifestações de superioridade, abraçar meus medos e caminhar com eles de forma consciente e atenta e o principal: abrir espaço para um Eu maior atuar nos meus dias.

Hoje a tolerancia com meus erros e incapacidades é muito maior. Compreendo tantas coisas e tantos aspectos de mim mesma que terei uns bons 10 anos para integrar de forma plena.

Me sinto mais sadia, mais quieta, mais consciente de mim mesma e daquilo que posso, tenho e quero. O outro, que durante muito tempo foi o maior desafio na minha vida, gradativamente vai ganhando um espaço mais ameno dentro de mim.

Ainda tenho algumas dificuldades com comunidades em geral. Me mantenho quieta, observando tudo e ao mesmo tempo provando para mim mesma que são essas pessoas que vão ajudar a minha melhora.

Aqueles que estão próximos, parentes e amigos, ganharam um novo tom de afeto. Acho que passei a genuinamente a amar de uma forma mais madura aqueles que já amava e aqueles que tenho carinho, afinidade ou mesmo empatia, tenho realizado pequenos ensaios de aprofundamento deste afeto.

Ficou mais fácil. A medida que tudo ficou claro aqui dentro, o outro passou a ser uma figura mais acarinhada por meus sentimentos.

Ainda existem alguns aspectos bem difíceis de lidar e de educar mas eu os conheço. Estes dão trabalho. Me fazem ficar atenta ás palavras, aos sentimentos e até aos significados que estes aspectos recebem quando vivenciados em algum nível emocional. Nisto a meditação me ajuda muito pois minha atenção começou a ser voltada para meus atos e no que eles impactam no outro.

Mas de tudo, o que ficou mais forte e que me serve como mola propulsora para seguir na jornada de ser uma pessoa melhor é a certeza de que eu tenho limites, sou rasa em vários âmbitos da vida e que sou uma buscadora com a eternidade inteira para aprender.

Eu posso dizer, com uma certa propriedade que comecei a experimentar genuinamente os momentos felizes. Não tenho nada, mas tenho tudo pois posso construir a partir disto.

Até meus sonhos mudaram. Meus pesadelos com gatos que tinha desde pequena acabaram, viraram sonhos bons recheados de sentimentos de afeto e cuidado. Não vou chorar mais a noite.

Do futuro eu realmente não sei o que me reserva mas seguirei. Bem de boa, observando a paisagem e como eu caminho por ela. Pois o foco é o agora. Cada dia é um dia importante para aprender a ser melhor e como sou uma aluna muito desligada, preciso aproveitar o máximo que puder.

Tenho bons sentimentos pelo universo. Sempre tive. Agora mais.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Sobre máscaras caindo de si



Quando a máscara cai para nós mesmos. Ela também cai para todos aqueles que nos cercam. Saber-se realmente significa espalhar-se reinventada como se fosse sementes ao vento. E onde cair, vai brotar verdades. Doa a quem doer. Custe o que custar.

É perigoso saber-se. Precisa muita sabedoria para arcar com as consequências.