terça-feira, 6 de junho de 2017

Embriaguez


Eu tenho fome, tenho sede. Desejo aquilo que não quero. Desconheço o erro, o perigo e o concreto.

Quero dançar com a morte de mãos dadas com a vida para ver se consigo entender suas diferenças.

Quero gritar ao infinito tudo o que eu não tenho e chamar de meu para depois perceber o vazio.

Eu tenho frio. Tenho sono e minha boca está seca de tantos que não bebi.

Fiz a festa para o presente e nada daquilo que convidei sequer apareceu. Ficamos sós, ocos, incertos e furtivos.

Marginal dessa madrugada que ainda não aconteceu, só aqui dentro, em meio ao turbulento clima que se apoderar de mim. 

A palavra existiu.

E como um bálsamo que cura feridas ela se fez. Transcendeu a dor e a confusão. 

Virou poesia, voou para o céu.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Semana de 30 dias



Hoje é quarta-feira... Meio da semana. Mas a intensidade das emoções, acontecimentos e re-significações deram a ela uns 30 dias a mais.

Já fiquei cansada, deprimida, feliz, fui para o inferno e voltei trazendo amigos, meditei e vi coisas que não queria ver. Aceitei e dispensei. Trabalhei, perdi e ganhei.

No computo disso tudo uma coisa é certa: Estou meio cansada e meio em paz. De certa forma, existe uma superação de limites fortíssima acontecendo aqui dentro. Ainda confusa, meio sem norte mas com a certeza de que vou saber escolher as melhores escolhas.

Tenho medo. Sim. Medo talvez seja o maior adjetivo desta semana de 30 dias. Medo de não dar conta, de não conseguir, de errar, de não saber distinguir o que é meu e o que é do outro. Mas ao mesmo tempo, de uma forma singela e protetora, acho que estou caminhando bem. A meditação, o estado de pensar focado e a certeza de que tem coisas que me assustam identificadas me ajuda a definir minhas estratégias e caminhos.


Hoje me vi reclamando de um jogo de xadrez que tenho jogado com um amigo. Olhei as peças, sem estratégia, espalhadas e desalinhadas e pensei: refletindo meus dias até no xadrez. Ali estou perdendo e não consigo aprender. Mas na vida estou aprendendo e não consigo perder. 

Isso é bom, isso é maduro e faz parte da vida de verdade. 

Gosto do que vejo e sinto. 

Ainda que esteja tudo caótico, a certeza do “tudo bem” me deixa em paz.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Iris por mim mesma: A viagem

E cá estou eu mais uma vez. Há, no ar que eu respiro, nos meus movimentos leves e livres e nas paisagens por onde passo, uma novidade, uma vitoria, um suspiro de possibilidades.

Me tornei nova, modifiquei meu corpo e espírito e sigo modificando com o intuito de ser melhorzinha e ter um legado mais altruísta para deixar aos meus.

É engraçado que, a um ano atrás eu me lembro. Em um retiro espiritual em fevereiro onde eu me deparei com a minha unica versão. A real Iris sem máscaras, sem desculpas e sem possibilidades de ser plena.

Foram dias (quantos dias sem fim...) que eu chorei muito, fiquei profundamente triste com o que vi e me senti falha, incompleta de mim mesma e detestei cada nova nuance dessa Iris crua que se mostrava para mim.

Eu tinha apenas duas alternativas mais próximas a seguir, dentro daquilo que sou culturalmente e socialmente falando: renegar profundamente essa real pessoa que se apresentava a mim, tão perdida, triste e sofrida, para seguir vivendo uma falsa ilusão de controle e prosperidade; ou acolhia esse ser humano real que sou, olhando dentro dos olhos daquilo tudo que eu não queria ter e ser, e juntas, eu e eu mesma, buscarmos alternativas possíveis para mudar este quadro feio que se mostrava diante de mim.

Os dias foram longos, difíceis e regados a muitas lagrimas. A decisão era sem volta. Fosse qual fosse, era aquilo que basearia meus futuros dias.

Eu me lembro que as primeiras impressões que tive de mim mesma foram tão cruéis: eu era feia, doente, sem educação, sem empatia, egoísta, sem família... Um erro.

Como eu medito a um tempinho, comecei a meditar sobre estes adjetivos que eu mesma me dei e cheguei ao meu veredito: Se eu tiver que conviver comigo pelo resto dos meus dias neste plano, vai ter que ser uma convivência pacífica e para isso, preciso me aceitar ou me modificar.

Além da meditação, eu sempre gostei dos desafios da vida. Desafios sempre me motivam e dão um refresco nas minhas decisões. A opção era MUDAR.

Comecei o retorno ao bom convívio comigo mesma com duas premissas: Sempre me lembrar o que eu não gostava de mim, descobrir como me tornei assim e buscar alterar esta versão com ajuda de todos e tudo o que pudesse existir.

Nessa viagem toda, hoje, a mais de um ano do start, com muita força, foco e meditação eu posso dizer que:

"...eu era feia (sou linda! E agora por dentro e por fora), doente (meu corpo é sadio, responsivo, condicionado e forte), sem educação (estudo muito mais), sem empatia (o outro passou a ser importante a medida que fui gostando de mim), egoísta (generosa), sem família (com a maior família do universo. Unida e amada)... Um erro (uma correção constante!)..."

Tenho muito a agradecer, a muitos e muitas tanto deste plano quanto de planos estranhos ao nosso. Sinto que acertei o caminho. O meu caminho. O caminho da minha legitimidade, da minha verdade e da minha vida.

Hoje consigo ver as coisas de tudo e todos de uma forma muito mais pacífica, esperançosa e feliz.

Posso dizer que vivo uma plenitude utópica que nunca pensei q existiria. Ainda tenho tristezas, desventuras e muitos perrengues no porvir, mas tenho a minha integralidade. Hoje nutro por mim um respeito e amor muito mais significativo e profundo que me ajuda a seguir vivendo.

Meus amigos, família terrestre, ancestrais de outros planos. Todos tem um significado mais profundo e sagrado. Agradeço a oportunidade de me unir a esta família gigante todos os dias, pois agora aprendo muito com todos eles, seja qual for o nível e energia que trocamos.

Sou plena. Estou fluindo. Disto tudo. Assim que é viver.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Um aniversário



Hoje é aniversário de São Paulo, minha terra. Cidade em que nasci e aprendi a ser eu mesma.

Onde me foram dados valores, culturas, aprendizados profundos que permeiam meus dias até hoje e que a 117 anos abriga meu clã.

Em São paulo, ainda que por menos tempo que eu gostaria, eu ganhei bases sólidas para viver a grande aventura que foi proposta a mim. Por este motivo onde quer que eu vá, em que língua ou sotaque eu fale, com quem quer que me relacione, Sampa, a cidade, ainda se revela dentro de mim.

Acho até que exalo Paulistanice.

Considero muito meus dias por lá, uma grande escola, onde fiz grande parte dos meus verdadeiros amigos que até hoje, mesmo a distância, estão nos meus dias da forma que é possível.

Gosto de pensar em Sampa com minha mentora. Embora eu fale que nunca mais voltaria, que é tudo muito estressante e que eu realmente adoro morar onde eu moro, na verdade eu amo minhas origens e minha terra e tudo o que nela engloba. E amo ser filha dessa loucura toda pois aonde quer que eu vá, esta característica está explicita.

Talvez eu realmente nunca mais more nesta cidade. mas o fato mais interessante e profundo é que ainda que esteja fisicamente separada, Sampa viverá dentro de mim e nas minhas memórias sendo um grande repositório de lembranças vivas e pulsantes.

Sim, sou paulistana para sempre nesta vida. Nada vai tirar de dentro de mim, todo esse legado que gentilmente me foi cedido por lá.

Feliz Aniversário cidade tramposa.

Obrigada por ter abrigado meus antigos desde 1900.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Morte, Gratidão e Amor


Ultimamente, por conta das novas empreitadas que estou me envolvendo tenho me tornado uma pessoa diferente. Ousaria até dizer que estou me transformando numa pessoa melhor.

Percebo isso na quantidade de "Obrigada" sinceros que eu tenhodistribuido. São agradecimentos ricos em gratidão e felicidade por ter recebido a troca com o outro.

Tem também um conjunto de palavras que eu tenho usado de uma forma que nem em meus sonhos mais coloridos eu imaginei proferi-la com tamanha verdade é "Eu te amo". Sim eu finalmente entendi que eu amo do jeito e com a quantidade de amor que cabe em mim. E mesmo esta sendo pouca (ao me ver) é suficiente para distribuir e não ficar sem.

Acho que minha natureza lógica esteve me pregando algumas peças durante muito tempo sobre este sentimento e eu me dei conta agora.

Nas filosofias espiritualistas que eu acredito, existe uma vertente xamanica que fala que a morte é nossa fiel companheira.

Ela vive às nossas costas, como uma mulher japonesa seguindo seu esposo por respeito,  desde o momento do nascimento e a medida que nos desenvolvemos e com o passar dos anos ela vai se aproximando mais até que um dia, quando nossa vida neste planodeve chegar ao fim, ela se aproxima amorosamente e nos toca o ombro.
E neste toque, nossa alma é liberta.

Nesse caminho todo, nosso com a morte ao lado, estes xamanicos costumam conversar com ela longas horas, para se familiarizar com este ente invisível que ganhamos no início do nosso existir.

Esses dias eu conversei com minha morte. Um papo reto como se fala com um amigo. Sem pretenções ou solicitações. Apenas falei que senti ela se aproximando, não com o intuito de me tocar mas de me avisar para me cuidar.

Me cuidei e ela voltou aos 80cm de educação que toda boa morte segue como etiqueta.

Pensar e falar na morte me deu voz para agradecer e amar. A vida é curta, os planos muitas vezes não se realizam e o que fica disto tudo são os aprendizados interiores, os afetos e com um certo esforço, podem ficar também boas lembranças.

Acho que é por isso que estou mais leve, mais viva e mais receptiva e doadora de mim, de minhas histórias e afetos.

Talvez isto tudo seja um acentar de terrenos que vão receber novas sementes em breve. E estas sementes não vem com rótulo logo, não sei quais frutos exatamente sairão desta germinação.

Hoje, a morte, a gratidão e o amor são meus fiéis companheiros

quarta-feira, 30 de março de 2016

Das coisas que se aprende quando está observando o caminho

É... As coisas mudaram por aqui. percepções, ilusões, fantasias e desejos tomaram um novo rumo, foram resignificados e hoje existe uma nova pessoa se reconstruindo dia a dia.

Confesso que é estranho conviver com este novo eu que veio acompanhado de um novo modo de pensar e olhar o mundo. E isto não aconteceu automaticamente e sim foi o resultado de uma série de buscas e jornadas interiores em busca dele: o eu de verdade.

Das coisas que ficaram de aprendizado posso dizer que a maior delas foi olhar, reconhecer e agora conviver de forma realista, com meu ego, meu euzinho, aquele tiraninho que mora dentro da gente e que se mal alimentado tentará o tempo todo nos sabotar.

Acho que por muitos anos, porém não a vida inteira, eu deixei ele ditar as partes mais importantes da minha vida e o resultado claramente foi um tanto quanto desastroso e cômico.

Ah, esse se dar conta... na verdade foi bem menos difícil do que eu imaginava. Compreendeer algumas atitudes, aceitar algumas pequenices que eu disfarçava com arrogâncias e pequenas manifestações de superioridade, abraçar meus medos e caminhar com eles de forma consciente e atenta e o principal: abrir espaço para um Eu maior atuar nos meus dias.

Hoje a tolerancia com meus erros e incapacidades é muito maior. Compreendo tantas coisas e tantos aspectos de mim mesma que terei uns bons 10 anos para integrar de forma plena.

Me sinto mais sadia, mais quieta, mais consciente de mim mesma e daquilo que posso, tenho e quero. O outro, que durante muito tempo foi o maior desafio na minha vida, gradativamente vai ganhando um espaço mais ameno dentro de mim.

Ainda tenho algumas dificuldades com comunidades em geral. Me mantenho quieta, observando tudo e ao mesmo tempo provando para mim mesma que são essas pessoas que vão ajudar a minha melhora.

Aqueles que estão próximos, parentes e amigos, ganharam um novo tom de afeto. Acho que passei a genuinamente a amar de uma forma mais madura aqueles que já amava e aqueles que tenho carinho, afinidade ou mesmo empatia, tenho realizado pequenos ensaios de aprofundamento deste afeto.

Ficou mais fácil. A medida que tudo ficou claro aqui dentro, o outro passou a ser uma figura mais acarinhada por meus sentimentos.

Ainda existem alguns aspectos bem difíceis de lidar e de educar mas eu os conheço. Estes dão trabalho. Me fazem ficar atenta ás palavras, aos sentimentos e até aos significados que estes aspectos recebem quando vivenciados em algum nível emocional. Nisto a meditação me ajuda muito pois minha atenção começou a ser voltada para meus atos e no que eles impactam no outro.

Mas de tudo, o que ficou mais forte e que me serve como mola propulsora para seguir na jornada de ser uma pessoa melhor é a certeza de que eu tenho limites, sou rasa em vários âmbitos da vida e que sou uma buscadora com a eternidade inteira para aprender.

Eu posso dizer, com uma certa propriedade que comecei a experimentar genuinamente os momentos felizes. Não tenho nada, mas tenho tudo pois posso construir a partir disto.

Até meus sonhos mudaram. Meus pesadelos com gatos que tinha desde pequena acabaram, viraram sonhos bons recheados de sentimentos de afeto e cuidado. Não vou chorar mais a noite.

Do futuro eu realmente não sei o que me reserva mas seguirei. Bem de boa, observando a paisagem e como eu caminho por ela. Pois o foco é o agora. Cada dia é um dia importante para aprender a ser melhor e como sou uma aluna muito desligada, preciso aproveitar o máximo que puder.

Tenho bons sentimentos pelo universo. Sempre tive. Agora mais.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Sobre máscaras caindo de si



Quando a máscara cai para nós mesmos. Ela também cai para todos aqueles que nos cercam. Saber-se realmente significa espalhar-se reinventada como se fosse sementes ao vento. E onde cair, vai brotar verdades. Doa a quem doer. Custe o que custar.

É perigoso saber-se. Precisa muita sabedoria para arcar com as consequências.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Tempestade


Havia uma certa penumbra no céu. O fato da tempestade estar próxima, varria a luz daquela casa e trazia o frio da noite para dentro dos cômodos. O vento assoviava algumas canções sombrias e nesta melodia ela dançava entre os papéis que voavam da mesa, quando a janela se abriu pela força da natureza.

Ela não deveria estar ali, precisava voltar para sua casa, sua gente. E ao mesmo tempo que o tempo corria longe demais fazendo com que a urgência do retorno se fizesse cada vez mais clara, havia um temporal se armando lá fora que lhe trazia lembranças de angustias muito antigas.

Fechou a janela e olhou o mar. A natureza estava realmente avassaladora naquela tarde. Tentou ser racional e para superar o medo lembrou que o carro estava com o tanque cheio na garagem, que ela sairia dali a favor do vento e em menos de 30 minutos estaria exatamente onde precisava estar.

Organizou seus papéis, colocou dentro de uma pasta firme e depois dentro da bolsa. Correu ao banheiro e arrumou o cabelo num grande rabo de cavalo. Olhou firme para aquele reflexo e sentiu novamente o medo.

Não conseguiria atravesar a cidade com a tempestade la fora. Os raios, o vento. Embora ainda distantes e mesmo sabendo que para onde tinha que ir não haveria tempos ruins, sentiu medo. E se o pneu estourar, perder a direção ou simplesmente a gasolina acabar.

Mas como a gasolina acabaria se o taque está cheio e conhece o caminho como a palma de sua mão. Era simples. Era entrar no carro e partir. Será que isso é tão impossível assim?

Ela viajara a vida toda grandes percursos, enfrentara grandes alterações climáticas e sinceramente não podia ter medo desta precipitação de verão.

Sentiu-se fraca, incapaz. Lembrou do acidente que havia sofrido a meses atrás naquele mesmo local, nas condições climáticas muito semelhantes e chorou.

Ela havia errado o caminho naquele dia e se culpava tiranamente pelos problemas que causou a si própria e aqueles que a aguardavam naquele dia.

Olhou para dentro do banheiro e quase decidiu que deveria ficar ali dentro até tudo aquilo passar. Ouviu mais uma vez o vento abrindo a janela com mais violência.

Correu para a sala pegar sua bolsa e viu as ondas agigantadas pelo vento. Teve medo de ficar. Mas tinha mais medo de ir.

respirou fundo e correu novamente mas para a cozinha, onde estavam as chaves do carro. Ao pegar as chaves percebeu cair do meio da pasta um pequeno papel amassado e velho.

Institintivamente, com a curiosidade que lhe era peculiar mesmo em meio as situações mais difíceis, abriu o papel e leu.

Não tenha medo. Se errou conserte pois errar é humano. Você é mais você.

Um profundo suspiro foi dado e uma gloriosa sensação de empoderamento de si, se apropriou dela.

Lembrou daquele papel, de quem era e de que poderia tentar sair na tempestade. Percebeu que se não chegasse aos seus em tempo, isto não faria o caminho menos importante. Percebeu que o medo não valia a pena.

Trancou a porta para trás, entrou no carro e dirigiu para casa. Na verdade lá era o único lugar que ela queria estar e embora o rumo parecia errado e incerto para aqueles que a esperavam a 30 minutos dali, ir para casa era tudo que ela queria. E podia.

Depois daria telefonemas, explicaria os motivos e pediria desculpas se julgasse necessárias.

Mas ela se foi. A tempestade passou.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Amizade


Li isso em algum lugar que não lembro onde foi e resolvi postar aqui:

"...Toda amizade é uma história particular.
É uma história de conquista.
Primeiro, descobre-se o outro.
Todo mundo parece igual, mas não é.
é justamente essa coisinha diferente em cada um que torna cada pessoa única.
E de repente ali está a sementinha da amizade fecundada...
A gestação começa.
Não sabemos direito o porquê de nos sentirmos
próximos de alguém assim tão longe,
tão diferente e tão igual.
Mas amizade, como o amor, não se questiona.
Vive-se. Dela e para ela.
É preciso dar tempo ao tempo
para se saber cativar e ser cativado."

Mudanças

Essa coisa toda de mudança é interessante. Tem seus aspectos bastante complexos que implicam muitas vezes em severos ajustes de rotinas. E cá entre nós, humanos brasileiros com todo esse DNA conformado na veia, fica muito dificil aceitar alguns pontos que precisam de ajuste.

Como tudo na vida que realmente valha a pena implica em sair da linda e mítica zona de conforto e andar um passo a mais ou, em alguns aspectos, algumas milhas, talvez no final haja um gosto de vitoria quando se modifica alguma coisa que se dizia consumada.

Enfim. Mudança para mim nunca foi tabu algum. Desde pequena, mas pequena mesmo (daquele tamanhinho de gente) minha vida foi permeada de mudanças. Algumas alegres, outras severas mas todas elas sempre me deram um friozinho na barriga que sinaliza o novo. Sim...para mim o friozinho na barriga é caracteristica muito forte de novas mudanças e consequentemente quebra de paradigmas.

Estes dias eu estava ouvindo um podcast bastante interessante que falava da impressão de uma antropóloga que estuda comportamentos digitais. A criatura viaja o mundo todo e para observar as pessoinhas e sua relação com as tecnologias. Bom, o ponto que me chamou a atenção e que me faz escrever estas linhas é que ela comentou em algum momento que achou o brasileiro tolerante e acomodado.

É meio chocante mas é provocativo e dá para pensar que talvez sejamos mesmo. A mudança talvez não seja a melhor coisa que buscamos para nossas vidas. Um pais novo, com um historico bastante intenso de oscilações financeiras, políticas, etc (bem comum em paises novos, um amigo economista e cabeção certa vez me disse e eu acreditei), com certeza quer acima de tudo estabilidade. O povo cuja ancestralidade já passou por tantos "perrengues" naturalmente vai buscar uma vida parametrizada em estabilidades: amigos, afetos, profissao, etc.

Toda essa volta para comentar sobre as mudanças. É um paralelão mas que reflete bem essa coisa toda que vivo agora. Eu sempre tive medo de sair da zona de conforto mas talvez pelo intensivo treinamento que tenho tido de rotatividade de rotinas eu ouse um pouco mais. Minha psicologa diz que sou ousada. Talvez seja mesmo.

Mas o fato é que esta coisa toda de mudanças, embora o desconforto inicial, pode trazer ótimas surpresas. Agora posso falar com propriedade pq já mudei de casa, cidade, esado, pais, familia, vida...enfim...se há alguma especialização em mim é essa tal de "mudancidação"...hihi

E nesse papo todo acho que a palavra mais bacana que posso tirar desse movimento do comum para o desconhecido é aprendizado e, se soubermos utilizar as novas ferramentas, sabedoria. Tô aprendendo e acho que talvez a uns 30 anos eu consiga ser sabia (...e com mais algumas mudanças, claro!).

É bacana conhecer o novo. Ele agrega, ao contrário de muitos que acreditam que retira, afasta, pune, isola. Não é assim não pois lá no novo tem as mesmas coisas que no antigo tem. Alias ouso dizer que tem mais! O novo vem carregado com surpresas, com versões daquele mesmo que a gente conhece e com um turbilhão de coisas que podemos juntar com o antigo e viver em harmonia.

É bacana tentar subverter o DNA de brasileiro e sair inovando na vida. Sem medo porque afinal a gente nunca perde nada e nem ninguem em verdade. Eles estarão o tempo todo conosco a medida que os buscarmos em pensamentos, ações e mesmo fisicamente.

Mudar é uma viagem. E em toda viagem a gente aprende coisas novas sobre os lugares e volta cheio de novidades não é mesmo?