quarta-feira, 5 de julho de 2017

A Gaia Ciência...



Eu sou vários!
Há multidões em mim.
Na mesa de minha alma sentam-se muitos, e eu sou todos eles.
Há um velho, uma criança, um sábio, um tolo.
Você nunca saberá com quem está sentado ou quanto tempo permanecerá com cada um de mim.
Mas prometo que, se nos sentarmos à mesa, nesse ritual sagrado eu lhe entregarei ao menos um dos tantos que sou, e correrei os riscos de estarmos juntos no mesmo plano.
Desde logo, evite ilusões: também tenho um lado mau, ruim, que tento manter preso e que quando se solta me envergonha.
Não sou santo, nem exemplo, infelizmente.
Entre tantos, um dia me descubro, um dia serei eu mesmo, definitivamente.
Como já foi dito: ouse conquistar a ti mesmo. 

Nietzsche - A Gaia Ciência. (via calabarr)

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Abbraccio


Você conhece alguém que faz você sentir aquele friozinho na barriga, alguém que, com o toque, faça você estremecer?

É comum vermos bocas que nos atraiam, sorrisos que nos desmontam e olhares que nos encantam. É comum nos atrairmos pelo perfume bom que fica em nós depois do abraço.

Mas como é difícil aquela conexão mental daquela conversa boa de que você não quer se despedir. De quem faz você abrir o seu coração; aquela conversa boa que permite que você seja simplesmente você.

Como é raro ter alguém para falar das nossas paixões malucas, dos nossos gostos peculiares e dizer ao outro o quanto detestamos dieta.

É raro encontrar alguém com quem a gente possa falar sem medo da reprovação e que ri da nossa risada.

É raro quem queira rir conosco das bobagens dessa vida e que divida as suas piadas mais sem graça nos fazendo rir.

É comum quem chega e arrepia com um beijo ao pé do ouvido, difícil é quem vem e nos arrepia com uma conversa boa, daquelas que você não se cansa, daquelas que dispensa o beijo e aguça o desejo de conhecer mais sobre esse alguém.

É fácil quem vem e faz com que nos apaixonemos pelo jeito que nos olha, difícil é quem vem e queira olhar para a nossa alma e nossa história.

Em um mundo de tantos disfarces e coisas passageiras, é raro quem “perde” o seu tempo com uma conversa boa e, mais ainda, quem nos faz “perder” tempo com ideias interessantes, sonhos cativantes.

É raro pessoas que no fazem querer sempre mais e mais e que entendam as nossas dores. Atrações físicas não são uma raridade, mas conexões mentais não é só raro como nobre e bonito.

Sim, atração física é importante, mas não é tudo e está longe de sustentar uma conversa. Está longe de ser amor ou de nos fazer ter confiança nesse alguém.

Porque bom mesmo é podermos ser nós mesmos e termos alguém que desperte aquela vontade de sermos sempre melhores.

Difícil é quem não olha apenas para as curvas, mas contempla o nosso sorriso, a nossa inteligência e se interesse pelos nossos sonhos. Alguém que se interesse pela nossa vida e que queira escutar sobre o nosso dia a dia tão comum.

Como é empolgante conhecer alguém assim, cuja conversa flui, as ideias coincidem e, mesmo que haja discordância, o outro sabe como respeitar as diferenças, sem tentar impor, sem tentar convencer.

E, então, esse alguém se torna cada vez mais interessante, não pelo beijo, pelo toque ou pelo perfume, mas pela conversa, pela forma como se interessa em nos conhecer de fato.

Esse alguém, para mim, se parece com você.

(Não sei quem é o autor)

terça-feira, 6 de junho de 2017

Embriaguez


Eu tenho fome, tenho sede. Desejo aquilo que não quero. Desconheço o erro, o perigo e o concreto.

Quero dançar com a morte de mãos dadas com a vida para ver se consigo entender suas diferenças.

Quero gritar ao infinito tudo o que eu não tenho e chamar de meu para depois perceber o vazio.

Eu tenho frio. Tenho sono e minha boca está seca de tantos que não bebi.

Fiz a festa para o presente e nada daquilo que convidei sequer apareceu. Ficamos sós, ocos, incertos e furtivos.

Marginal dessa madrugada que ainda não aconteceu, só aqui dentro, em meio ao turbulento clima que se apoderar de mim. 

A palavra existiu.

E como um bálsamo que cura feridas ela se fez. Transcendeu a dor e a confusão. 

Virou poesia, voou para o céu.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Semana de 30 dias



Hoje é quarta-feira... Meio da semana. Mas a intensidade das emoções, acontecimentos e re-significações deram a ela uns 30 dias a mais.

Já fiquei cansada, deprimida, feliz, fui para o inferno e voltei trazendo amigos, meditei e vi coisas que não queria ver. Aceitei e dispensei. Trabalhei, perdi e ganhei.

No computo disso tudo uma coisa é certa: Estou meio cansada e meio em paz. De certa forma, existe uma superação de limites fortíssima acontecendo aqui dentro. Ainda confusa, meio sem norte mas com a certeza de que vou saber escolher as melhores escolhas.

Tenho medo. Sim. Medo talvez seja o maior adjetivo desta semana de 30 dias. Medo de não dar conta, de não conseguir, de errar, de não saber distinguir o que é meu e o que é do outro. Mas ao mesmo tempo, de uma forma singela e protetora, acho que estou caminhando bem. A meditação, o estado de pensar focado e a certeza de que tem coisas que me assustam identificadas me ajuda a definir minhas estratégias e caminhos.


Hoje me vi reclamando de um jogo de xadrez que tenho jogado com um amigo. Olhei as peças, sem estratégia, espalhadas e desalinhadas e pensei: refletindo meus dias até no xadrez. Ali estou perdendo e não consigo aprender. Mas na vida estou aprendendo e não consigo perder. 

Isso é bom, isso é maduro e faz parte da vida de verdade. 

Gosto do que vejo e sinto. 

Ainda que esteja tudo caótico, a certeza do “tudo bem” me deixa em paz.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Iris por mim mesma: A viagem

E cá estou eu mais uma vez. Há, no ar que eu respiro, nos meus movimentos leves e livres e nas paisagens por onde passo, uma novidade, uma vitoria, um suspiro de possibilidades.

Me tornei nova, modifiquei meu corpo e espírito e sigo modificando com o intuito de ser melhorzinha e ter um legado mais altruísta para deixar aos meus.

É engraçado que, a um ano atrás eu me lembro. Em um retiro espiritual em fevereiro onde eu me deparei com a minha unica versão. A real Iris sem máscaras, sem desculpas e sem possibilidades de ser plena.

Foram dias (quantos dias sem fim...) que eu chorei muito, fiquei profundamente triste com o que vi e me senti falha, incompleta de mim mesma e detestei cada nova nuance dessa Iris crua que se mostrava para mim.

Eu tinha apenas duas alternativas mais próximas a seguir, dentro daquilo que sou culturalmente e socialmente falando: renegar profundamente essa real pessoa que se apresentava a mim, tão perdida, triste e sofrida, para seguir vivendo uma falsa ilusão de controle e prosperidade; ou acolhia esse ser humano real que sou, olhando dentro dos olhos daquilo tudo que eu não queria ter e ser, e juntas, eu e eu mesma, buscarmos alternativas possíveis para mudar este quadro feio que se mostrava diante de mim.

Os dias foram longos, difíceis e regados a muitas lagrimas. A decisão era sem volta. Fosse qual fosse, era aquilo que basearia meus futuros dias.

Eu me lembro que as primeiras impressões que tive de mim mesma foram tão cruéis: eu era feia, doente, sem educação, sem empatia, egoísta, sem família... Um erro.

Como eu medito a um tempinho, comecei a meditar sobre estes adjetivos que eu mesma me dei e cheguei ao meu veredito: Se eu tiver que conviver comigo pelo resto dos meus dias neste plano, vai ter que ser uma convivência pacífica e para isso, preciso me aceitar ou me modificar.

Além da meditação, eu sempre gostei dos desafios da vida. Desafios sempre me motivam e dão um refresco nas minhas decisões. A opção era MUDAR.

Comecei o retorno ao bom convívio comigo mesma com duas premissas: Sempre me lembrar o que eu não gostava de mim, descobrir como me tornei assim e buscar alterar esta versão com ajuda de todos e tudo o que pudesse existir.

Nessa viagem toda, hoje, a mais de um ano do start, com muita força, foco e meditação eu posso dizer que:

"...eu era feia (sou linda! E agora por dentro e por fora), doente (meu corpo é sadio, responsivo, condicionado e forte), sem educação (estudo muito mais), sem empatia (o outro passou a ser importante a medida que fui gostando de mim), egoísta (generosa), sem família (com a maior família do universo. Unida e amada)... Um erro (uma correção constante!)..."

Tenho muito a agradecer, a muitos e muitas tanto deste plano quanto de planos estranhos ao nosso. Sinto que acertei o caminho. O meu caminho. O caminho da minha legitimidade, da minha verdade e da minha vida.

Hoje consigo ver as coisas de tudo e todos de uma forma muito mais pacífica, esperançosa e feliz.

Posso dizer que vivo uma plenitude utópica que nunca pensei q existiria. Ainda tenho tristezas, desventuras e muitos perrengues no porvir, mas tenho a minha integralidade. Hoje nutro por mim um respeito e amor muito mais significativo e profundo que me ajuda a seguir vivendo.

Meus amigos, família terrestre, ancestrais de outros planos. Todos tem um significado mais profundo e sagrado. Agradeço a oportunidade de me unir a esta família gigante todos os dias, pois agora aprendo muito com todos eles, seja qual for o nível e energia que trocamos.

Sou plena. Estou fluindo. Disto tudo. Assim que é viver.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Um aniversário



Hoje é aniversário de São Paulo, minha terra. Cidade em que nasci e aprendi a ser eu mesma.

Onde me foram dados valores, culturas, aprendizados profundos que permeiam meus dias até hoje e que a 117 anos abriga meu clã.

Em São paulo, ainda que por menos tempo que eu gostaria, eu ganhei bases sólidas para viver a grande aventura que foi proposta a mim. Por este motivo onde quer que eu vá, em que língua ou sotaque eu fale, com quem quer que me relacione, Sampa, a cidade, ainda se revela dentro de mim.

Acho até que exalo Paulistanice.

Considero muito meus dias por lá, uma grande escola, onde fiz grande parte dos meus verdadeiros amigos que até hoje, mesmo a distância, estão nos meus dias da forma que é possível.

Gosto de pensar em Sampa com minha mentora. Embora eu fale que nunca mais voltaria, que é tudo muito estressante e que eu realmente adoro morar onde eu moro, na verdade eu amo minhas origens e minha terra e tudo o que nela engloba. E amo ser filha dessa loucura toda pois aonde quer que eu vá, esta característica está explicita.

Talvez eu realmente nunca mais more nesta cidade. mas o fato mais interessante e profundo é que ainda que esteja fisicamente separada, Sampa viverá dentro de mim e nas minhas memórias sendo um grande repositório de lembranças vivas e pulsantes.

Sim, sou paulistana para sempre nesta vida. Nada vai tirar de dentro de mim, todo esse legado que gentilmente me foi cedido por lá.

Feliz Aniversário cidade tramposa.

Obrigada por ter abrigado meus antigos desde 1900.