quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Um sonho de verdades

Então eu tive um sonho. Bem estranho e possivelmente não vou esquecer tão cedo. Sonhei que estava em um hospital em uma dimensão qualquer onde eu fazia exames. E o médico descobriu que eu tinha poucos dias de vida e ia me contar.

Ele estava com certa dificuldade de me contar que agora teria prazo de expiração pois eu estava sozinha ali naquele hospital. Mas era clara a resposta dele. Se via pelo olhar e pela energia que ele passava ao chegar ao meu lado, sentar e sorrir desanimadamente com alguns papeis e radiografias e outras coisas que resultam de um grande vasculhar dentro de mim.

Acordei sem ouvir a resposta do médico. Aos poucos, após eu ter feito a pergunta fatídica "vou morrer quando?" tudo foi perdendo a forma e a vida voltou para dentro do meu quarto.

Deste dia em diante comecei a pensar na minha vida, no que estou deixando de legado, de exemplos, de
lembranças. Tem um lado meu, bastante egocentrico, que diz que eu combati um bom combate e que já não há muitas grandes novidades a serem descobertas.

O lado mais racional sabe que deixei a desejar em vários aspectos, omiti palavras consoladoras e amorosas, ignorei fatos importantes para os outros e por ai vai uma sucessão imensa de faltas.

Se fosse verdade, e eu ficasse de cama e morresse aos poucos, eu iria organizar o que ficaria com quem. Meus bichinhos iriam para a veterinária deles para serem devidamente doados. Só confiaria nela para achar lares amorosos como o meu. Meus bens mais caros iriam para minha irmã mesmo e o restante, todas as lembranças, aprendizados e descobertas eu levaria um pouco e deixaria alguma coisa para virar historia de alguém.

Me pareceu tão simples morrer. Talvez porque aceito a minha eternidade e o que acabaria aqui continuaria em outro lugar. Mas me pareceu possível, aceitável, tranquilo. Uma parte da jornada de aprendizados e buscas que me propus a seguir quando comecei a nascer em cada vida que vivi.

De certa forma, se fosse verdade, se eu realmente fosse morrer um dia desses, antes de chegar aos 40, seria alguma coisa muito parecida com um presente de bom comportamento. Como aqueles soldados que ganham licença para visitar suas famílias por bom desempenho em batalha.

Não que eu queira morrer, eu quero seguir o que tenho que seguir, é diferente. E o que este sonho me trouxe de bacana é aceitar a morte como uma parte do caminho. Sempre respeitei a morte pois ela foi a força imbatível, aniquiladora e assustadora que permeou minha vida durante anos e ainda hoje escuto suas historias. Mas hoje vejo diferente e cada vez que me lembro dos ensinamentos xamanicos, que dizem ser a nossa primeira companheira desde o nascer, a morte, eu entendo que ela é amiga. É através dela que nos transformamos em outros lugares e podemos seguir nossas buscas.

Gratidão e respeito. A morte também é minha ancestral.

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Oleh

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