quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

De uns tempos para cá tenho procurado a arte dentro de mim e estou encontrando no oficio que sempre me deu muitos aprendizados na mesma proporção de vitorias pessoais: a musica.

Para começar a contar a historia vou para o final dela: hoje fui fazer teste para um coral local e não passei por motivos obvios como voz destreinada e técnicas esquecidas. Foi muito interessante e rico entrar em um conservatório depois de 6 anos. Aquele ar de antiguidade e sabedoria continua sendo o mesmo e o silencio mais melódico que a tempos eu não ouvia estava lá...sim, ele ainda está lá.

Fazer as vocalizes, embora integralmente eu não tenha curtido como deveria alguem que ve um amigo que a muito não encontrava, foi um momento a parte. Encontrar o meu soprano estridente, perdido, sem foco e ver que as notas baixas ainda continuam sendo misteriosas e imperativas.

Foi interessante também ser testada. Há muito tempo eu não sentia essa sensação de analise de voz, um regente no piano ouvindo minhas notas (muitas erradas) e a sensação de fluir que a musica pode trazer. Lembrando agora uma emoção quase monástica entra dentro de mim tentando me fazer chorar.

A música sou eu. Inteira e lesada; feia e bonita;morta ou viva. A música esteve em mim antes mesmo de eu saber quem eu seria quando ouvia os discos da minha mãe e aprendia as notas musicais de introdução das músicas do rádio. De alguma mágica forma a música permeou minha adolescencia antes mesmo da poesia e assim foi formando meu ser até o dia em que me mudei de cidade.

Talvez este silencio todo que a falta das notas altas e líricas me fechou. De alguma forma muito assusadora hoje pude sentir um pouco mais de mim mesma sendo colocado para fora, libertado...expressado.

Mas ainda que a música tenha feito morada nos meus dias nunca foi fácil chegar perto dela. Eu me lembro bastante da minha primeira tentativa mais "profissional" de cantar. Nada a ver com bares ou shows pois sempre fui dramatica demais para não gostar do lírismo. Mas foi o primeiro e mais doído não que eu recebi quando tentei entrar em um grupo e o regente me disse que não tinha voz boa.

Talvez se eu não tivesse essa resiliencia toda teria desistido na primeira mas a única desistencia que tive foi do grupo e no dia seguinte, para esclarecer se cantava ou não bem, me matriculei pela primeira vez (de muitas) em um conservatório.

Realmente eu não cantava nada...mas depois cantei. Depois a voz se soltou de tal forma que era impossivel não deixar escapar nas notas, pequenas doses de emoção. E como eu fui feliz naqueles dias...

Depois vieram os casamentos, os corais, os corais que viajavam para fora do pais, as aulas para um grupo de meninas e toda extensão do meu amor pela musica se fez ali...naquele cotidiano pequeno e quase escondido da minha vida mas que era suficientemente grande para me completar.

Quando eu achava que nada mais surpreenderia a minha vóz se extendeu para o soprano! Eu me lembro que ficava maravilhada com a possibilidade de alcançar altas notas que até então me pareciam distantes. Quem me ouve falar tem certeza sempre de que sou contralto...e alcançar notas de escala soprano era algo muito parecido com auto superação...a música me queria em todas as extensões...

Depois de mudar de Estado, junto com a correria em busca da própria vida e condição de mantê-la, isto tudo ficou lá dentro, guardado, esquecido mas latente. E como só eu mesma poderia ser, após um  pequeno período de stress acabei me deparando com ela, a musica, sorrindo e me chamando para cantar com ela novamente as valsas alegres e fluidas que tem para me oferecer.

E eu peguei a mão dela e fui parar hoje, dentro de um conservatório onde tudo fez sentido. Não vou deixar de ser arquiteta de informação e não vou deixar de escrever artigos e planejar livros e enfim, nada vai mudar a não ser pelo novo espaço, gasto talvez com inutilidades da TV ou comilanças exageradas, que será destinado a musica.

Hoje foi um dia atípico e impactante...um dia que quebrou um paradigma e me mostrou uma outra face minha que precisa estar de volta para que eu seja completa e fluida. E talvez a minha historia não seja mais imagem e texto...no silêncio...talvez a minha história a partir de agora começe a ter trilha sonora.

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Oleh

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