sábado, 25 de setembro de 2010

Sempre que eu leio Anam Cara (um livro de sabedoria celta) eu fico reflexiva...Anam Cara em gaélico significa amigo da alma. É uma das mais profundas e sinceras formas de ser amigo...

Eu tenho amigos. Poucos...aliás pouquissimos pois a pré seleção é rigida e só os fortes sobrevivem. Mas isso não significa em hipótese alguma que não seja amiga de várias pessoas. Nossa...graças aos deuses do tempo e espaço sou amiga de pessoas em váriadas partes do mundo e dos mais diferentes tipos de personalidades.

Sabe como eu percebo que a pessoa começa a me considerar amiga: quando ela me conta seus dilemas e eu empaticamente tento entender e acabo sempre, numa tentativa de resolver a vida dos outros, dando idéias, conselhos e contando historias baseadas em parabolas...sim...se a dificuldade no entendimento da minha mensagem fica complicada, eu uso o artificio da metáfora e da parábola...as vezes funciona...sou nerd né...nem sempre consigo a sutileza de acertar o tom da mensagem para o tipo de ouvinte...

Mas o fato é que eu gosto mesmo de ser amiga das pessoas. Gosto. Juro que me importo com as historias que me chegam e entendo, de certa forma (apesar de ter um modelo particular de enxergar a vida), os sentimentos que me passam e no que minha paciência espanhola permite, acolho as pessoinhas e tento fazer o melhor que posso para que se sintam bem.

É claro que nessa maré de pessoas sempre tem aqueles chatos que não consigo ouvir e nem gostar de nada que venha deles...claro...aquela coisa de santo que não bate...ai realmente eu tenho que sair da linha de visão pois essa pessoa que escreve aqui para madre tereza não tem absolutamente nada. Não queiram me ver com indigestão causada por comentários infelizes...enfim...sou um caso raro de chata com muitos amigos. Agradeço a todos que me aguentam!

Mas na verdade, sobre meus infernos, temores, sonhos e vitorias poucos destes que citei acima, participam. Este é um container especialmente projetado para ser aberto somente a amigos meus. Não é todo mundo, desta vasta quantidade de pessoas que passam pelos meus dias que sabem sobre este cofre...

...na verdade eu entendo sabe...a um tempo atras eu ainda me incomodava com esta troca de idéias muito mal balanceada onde eu dava muito da minha empatia e recebia quase nada. Hum...hoje isto pouco me importa e é com prazer que ouço, palpito e acompanho muitas historias de pessoas que sequer sonham com meus longos e tenebrosos momentos sombras e descidas a infernos.

Acho que deve ser porque os amigos que tenho, que considero parte da minha vida neste mundo e de toda a eternidade, são tão meus, que eu amo tanto e confio, que me bastam. Eu amo os amigos que tenho pois são as pessoas mais importantes e cruciais da minha vida e sempre, onde eu estiver, a hora que for, como for eu sempre poderei contar meus infernos e eles ouvirão com o coração. Pode ser que muitas vezes nenhum deles acerte a medida da solução para as coisas que tiro do container e trago para eles observarem, mas com certeza dão o seu melhor para mim: sua vontade de participar da minha vida...e olha que fantástico: sem nada em troca!

Eu os escuto também e nestes relacionamentos há uma real troca de historias e vida. Eu cresço com eles. Ao ouvir e falar. E olha que muitas vezes, dada a complexidade desta Iris confesso que não deve ser fácil ser meu amigo.

E eu me sinto tão grata por estas 2 ou 3 pessoas que detem o conhecimento real das minhas histórias, fazerem parte dos meus dias e poder dividir com elas as dores e prazeres que realmente me sinto lotada. Lotada de amizade.

Talvez essa sensação de "full space" me dê forças para continuar, ainda que seja naqueles dias em que tudo deu errado e que eu só queira um copo de vinho e um colo, respirar e ouvir as historias das pessoas que me consideram suas amigas...elas me ensinam tanto também.

Eu gosto disto sabe...gosto de saber que é um ciclo fantástico, que aumenta dia a dia e traz, ainda que o dia a dia seja cruel e obtuso, a sensação de estar em casa. Sempre...e ainda que a casa falte, a certeza de que terei um lugar para ir.

Que os deuses os levem na palma de suas mãos. E o vento sobre leve a suas costas. E a estrada se abra a seus olhos. Hoje, amanhã e em todos a eternidade. Amigos.

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Oleh

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