quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Chegando na esquina da minha casa, observei que a janela estava fechada. Frio e chuva...janela fechada. Sorri.


Antes disso, um ladrãozinho da cidade baixa me "semi abordou" e eu entendi ainda mais o significado de "energia" e agradeci aos céus por ter a minha em quantidades avassaladoras quer seja positiva ou negativa.


Quando entrei em casa senti uma paz imensa. Literalmente como se todo o peso do dia estivesse ficando do lado de fora, excluído, libertado.

Parei por instantes embaixo da minha luminária, no hall da entrada...respirei fundo...senti a boolie boolie e seus pelinhos macios e pretinhos na minha bota querendo brincar...fiquei lá...por alguns segundos que duraram a eternidade suficiente para eu sentir a proteção que eu não tenho, mas que precisava naquele momento.


Acendi a luz, achei a pepa e a casa limpa, linda, serena, minha, silenciosa...cheia de coisas, lembranças, cheiros meus.


Fome...fui a cozinha e um imenso bolo de chocolate...nem sei como a Giovana conseguiu fazê-lo...é por essas e outras que eu adoro ela...não tinha nada em casa a não ser farinha, chocolate e açucar e ela fez o bolo delicia...senti que estava, sem sombra de dúvidas, em casa...na minha pequena e laranja casa. Minha casa.


Estava com os meninos da faculdade até pouco tempo atrás, fui beber uma cerveja e trocar umas idéias...gosto deles...gosto mais de um em específico mas ele também não estava em um dos seus melhores dias...


Na aula eu estava agressiva demais...dei váááááárias respostas ríspidas, ridículas e arrogantes...eu já disse que não gosto do meu grupo? Então...salvam alguns...uma boa parte...bacanérrima...mas por causa de outros...ele se torna simplesmente detestável...acho que sao "teco-tecos"...mas tudo bem...já passou...tô em casa...tô na minha paz.


Jogo do São Paulo...lembrei do banana...lembrei tanta coisa dele que meus olhos ficaram rasos d'agua...como agora...dando a perfeita sensação de perda de uma grande, imensa importância...nunca mais vou tê-lo ao meu lado....ainda que isso seja um dos muitos "tudos" que quero na vida...esse é um luto bem doído...nunca pensei que em tão pouco tempo eu pudesse sentir tantas coisas fortes por ele...no entanto...sinto. E dói.


As vezes me questiono onde foi que eu parei e deveria ter ido mais além...mas tem uma voz interior que me diz que fui aonde tinha que ir, que existiam divisas claras depois deste trecho onde eu não fazia parte da paisagem...sentimentos são coisas tão delicadas...sensíveis...como a semente que ganhei hoje do vento...e guardei ela dentro do flip do celular para plantar quando chegasse em casa...e perdi.


Aumentei a dosagem dos meus remedinhos para o dobro...tô animada. Plena.


Lembrei muito do Jacques...um diretor que eu tinha em São Paulo...eu era moleca quando trabalhava na empresa com ele...sempre fazendo absolutamente tudo errado no auge dos meus 17 anos...18 talvez...não me lembro...


Minhas memórias percorreram este arquivo mental, pois me lembrei das nossas conversas...francas, abertas e extremamente profundas...que falavam não somente ao meu lado "profissional" como ao humano...


Me lembro que eu era um nenê burguês, absolutamente inexperiente no sentido de "vida" e muitas das coisas que ele falava, as doses de informações sábias, eu não entendia...mas passei pensando nela praticamente em toda a construção da minha adolescência tardia. Ele era atrevido...ou pelo menos eu achava um atrevimento dele se meter em âmbitos da minha vida que não tinham nada a ver com o meu trabalho executado naquele lugar. Ele falava que tinha tudo a ver...tinha mesmo.


Hoje me vi fazendo o que ele fazia comigo com meus meninos lá na empresa...me senti mal depois...invasiva, metida, inapta àquele tipo de observações...mas...falei...me dei conta da condição de administradora de pessoas que me encontro, delicada condição...quando vi os olhos dos meninos brilhando, tocados, tristes...sei lá...me senti responsável por eles de alguma forma...nesse momento entendi plenamente o Jacques. Triste...muito enriquecedoramente...triste.


Saí atrasada do trabalho e parei para receber um elogio jamais esperado do nosso grande cliente...bacana...dizimou um pouco o desconforto que eu sentia.


Eu sempre digo, e acho que enquanto o sangue circular em minhas veias e artérias eu seguirei dizendo que viver é complicado. Na verdade a escolha de como vc vai viver é a parte mais complexa...


Mas...seguirei vivendo...hoje gosto muito da Lucia, a instrutora da auto escola e do Dr. Hernani, meu psiquiatra.

E o melhor: tô em casa...na minha casa...de todas elas...a minha.

Postagens relacionadas

4/ 5
Oleh

Assine via e-mail

Por favor inscreva-se para receber as ultimas postagens no e-mail.