segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

fui para a casa da minha irmã este fim de semana. Ela esta em crises com o marido dela. Nada extremo não fosse o seu temperamento. Acho que descobriu como os homens funcionam e não tá curtindo o que está vendo. Fico chateada com isto mas cada um segue seu rumo. Acho que eu num tenho algumas ilusões a respeito do universo masculino...deve ser porque trabalho muito diretamente com eles desde muito tempo. São uns sapinhos mesmo. Nada românticos e principescos.

Minha irmã é uma ótima cronista e com certeza muita gente ainda vai ouvir falar dela. Não que seja minha irmã, pois sei definir o bom e o ruim sem bairrismos (sou chata demais para puxar saco). Mas voltando ao assunto, ela me falou de uma crônica que escreveu a respeito de sapatos. Ela me contou que até pouco tempo usava sapatos um numero menor que o seu. Minha mãe morreu quando ela era pequena e usava esse numero e desde então nunca mais mudou.

Quase 18 anos usando um numero menor que o pé dela porque num tinha ninguem para lhe dizer que era outro, que havia crescido e consequentemente, o pé também.
Fiquei muito pensativa e reflexiva quando ela disse isso. A gente meio que parou no tempo desde a morte dos nossos pais. E cada uma de nós tem uma versão do fato refletido em nossas vidas até hoje. É engraçado como a gente está vivendo alguns momentos semelhantes de "acordar".

Me doeu ouvir ela falando dos sapatos como a dor que sinto cada vez que vasculho minha mente em busca de informações que dizem unica e exclusivamente a minha familia, meus descendentes...as vezes me perco na busca do passado para entender meu presente e percebo tantas lacunas que nunca irão ser preenchidas como minhas raizes, origens e ancestralidades.

Alguma coisa muito parecida como se tivessemos mudado de vida sem ter vestígios de passado.
Tenho certeza que minha irmã ficou feliz por ter mudado o numero do sapato da mesma fora que fiquei feliz quando descobri que sou chata, cricri e irritadinha. É se conhecer a fundo...buscar ligações cognitivas nas nossas primeiras histórias para reconstruir as próximas.

Isso me deixa tranquila de certa forma. A única coisa que quero muito é saber das histórias dela para não acontecer a mesma coisa conosco caso ela parta e deixe o meu sobrinho orfão. Quero montar para ele as origens dele a partir das vivências dela para que nunca se perca e se confunda com outras pessoas. Não sei direito como dizer isso a ela.
Talvez nem diga.
Talvez somente escute e aprenda as suas histórias.

não vou corrigir o texto.

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Oleh

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