terça-feira, 8 de agosto de 2006

Minha boca está doendo de um modo muito estranho...desde que comecei a fisioterapia as coisas doem estranhamente.

É uma dor cansada, de musculo que não estava acostumado a trabalhar da maneira correta, insistente. Envolve toda minha cabeça e dá vontade de nunca mais falar para minimizar um pouco o incomodo.

Quando dou risada piora...desde que eu comecei a fisioterapia da alma também me doem novos sentimentos que não estavam acostumados a trabalhar dentro da minha zona de conforto. A dor é tão insistente quando a fisica e me faz admitir certas necessidades crueis.

Engraçado como o desestressar do músculo e da mente causa desconforto quando temos que acioná-los novamente de forma mais correta.

Tenho que escrever isso tudo senão vou chorar. Se bem que esse choro que engasga meu âmago acho que seguramente é um dos mais sinceros que já chorei.

A dor fisica não me faz chorar. Causa um certo medo e uma pequena insegurança quanto ao tratamento apenas...

...mas a que não é física me deixa confusa num primeiro momento porque ela não é clara...mas desde quando sentimentos são claros?

Em outros tempos eu já senti pesos teoricamente insuportáveis advindos disso..exatamente disso que estou sentindo agora mas da maneira incorreta de sentir.

Acho que a desculpa perfeita para as gentes que queremos por perto e não temos é o frio e vazio negro da solidão que a gente arruma para disfarçar que não se aprofunda tanto uma reação para se perder dentro dela.

Matar as coisas, dizimá-las de dentro da gente...como isso é fácil e pequeno...
O que faço agora com os sentimentos tratados é bem diferente e eles doem por estarem ali e se curando...mas não existem bolsas de água quente que amenizem a sensação ruim que fica, assim como faço com as bochechas.

Impossível não sentir saudades do meu pai e eu acho isso tão sem sentido. Há mais de 15 anos ele morreu e ainda assim sinto falta da presença dele...essa dor também vai ser vivida de forma diferente hoje.

Penso em rejeição...penso porém não toco nela e é tão estranho...a única coisa que sei é que tenho um caminho para seguir e eventos a dar continuidade. Não sei se é amor próprio, se é chatice de menina focada, se é conduta samurai...seja lá o que for, da mesma forma que meu pequeno organismo reagiu positivamente a algumas coisas quero ver o que ele fará agora...

Na verdade me sinto uma grande cobaia de mim mesma sentindo e observando meu comportamento diante das coisas difíceis e crueis da minha pequena vida.

Se eu falar que estou alegre estaria sendo cruel comigo mesma. Estou quebradinha por dentro mas não sei exatamente o que fazer...sei observar. Acho que estou aprendendo acerca do silêncio.

Silencio dói...é um novo músculo a exercitar de forma totalmente diferente...enquanto dói eu escrevo. Meu remédio: letras em forma de sentidos.

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Oleh

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