segunda-feira, 17 de julho de 2006

"...E ela sorrateiramente colocou as perninhas para fora da sala. Seus olhinhos coloridos estavam radiantes e lágrimas brotavam initerruptamente de sua face rosada e feliz.

Era uma única vez que vira o céu personificar-se e sentia que tudo aquilo lido em seus livros de escola e nos romances secretos que furtava de sua mãe poderia ser real. Tudo na verdade era mais fantástico ainda pois cheirava conto de fadas, idéias fresquinhas desenfornadas a poucos instantes, onde tudo parece certeiro e perfeito.

Caminhou seus passos curtos em direção da rua e observou que a paisagem estava modificada e o firmamento azul parecia muito mais vivo. Parecia que ele compartilhava de toda essa enfase que a vida lhe propiciava.

Na verdade perdeu-se no espaço infinito do tempo de sonhar e as horas escoaram por suas mãos. Comprou seu chocolate e voltou ao ponto de partida correndo, enfeitaçada pela atmosfera nova e encantadora.

Temeu o sonho, olhou suas mãos pequenas e tremulas com a realidade e os olhos se espelharam em águas. Tinha medo de acordar e perceber equívocos. Não pensou mais e comeu seu chocolate radiante, como se a cada pedaço estivesse absorvendo seus próprios sonhos e saboreando as novas e doces delicias que despontavam.

Todo chocolate acaba mas fica na boca o gosto do cacau misturado com o açucar. Pensou em si, olhou novamente tudo aquilo que era grande e sorriu. Correu em direção da sala e tentou subir o degrau mas as perninhas curtas e a saia rodada confundiram seus movimentos. Olhou ao lado, esticou sua pequena mão e aceitou a que se estendia a frente.

Sorriu como se o mundo se estabelecesse vivo naquele instante exato e tudo ficou claro

_Obrigada.

E saiu correndo."

Um conto do sem fim

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Oleh

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