Fico pensando naquelas pessoas que tem ouvido absoluto...No restaurante que eu almoço tem uma vóz que consigo disntinguir a metros de distancia. Aguda, dissonante, semi tonada. Algo que me arrepia a espinha de um modo absurdamente infantil, remetendo a velhas fábulas contadas por minha avó Paula...ai me vem a idéia que eu, basicamente tendo ouvido para escutar e assim mesmo deixando de ouvir muita coisa, já me irrito com a cidadã (adivinha a cor do cabelo...). Fico imaginando como devia ser alguma coisa complexa a vida de Betoven...ou...descendo o nível...penso em meus maestros...Buchala, Lineu Soares...caraca...Mundo complexo e cheio de sobreviventes...vou mudar esse blog...aguardem.
Fragmentos de Mim
Me percebo em fragmentos, onde cada parte de mim serve a uma função do outro. Na massagem, sou um corpo sem rosto. No trabalho, uma mente estratégica que resolve problemas designados; sem sentimentos, sem atividades outras. Na academia, sou movimento. Na rua, sou sombra. No restaurante, fome. No banho, sujeira. No sexo, prazer. No consultório, uma boca que fala e um corpo que talvez sinta. Sinto-me fragmentada quando acordo e vou ter com a vida. Enquanto apenas eu comigo, luto para me ver inter. Luto para ver as partes que os olhos de fora separam todas juntas, engrenadas, montadas de uma forma ímpar. É nesse lugar que o fôlego se transforma em eu . Quando atinjo essa integração, me perco nas minhas possibilidades. Percebo-me imensa, exuberante e total e isso me assusta, pois desconstrói as funções das partes e me faz inteira e presente. A raiva surge por não ser percebida como me percebo. Sou coisa social quando saio da caverna; sou estrela quando brilho ...
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