quarta-feira, 25 de janeiro de 2006

Da janela da minha nova sala vejo nitidamente uma tempestade se aproximando...nuvens coloridas que, no final, o resultado é um cinza sombrio e indiferente.
Costumava contar as cores das nuvens com minha mãe quando eu era pequena, como no filme "Moça do brinco de perola". Ela me fez enxergar um mundo extremamente novo advindo do óbvio.
Agora medito nas nuances das nuvens cinzas: azuis, amarelos, discretos tons avermelhados, sienas...não há branco mas não faltam cores para compor a paisagem...

Acho bonita a possibilidade feliz do olhar além, enxergar através do óbvio que nos circunda e nos agride a alma.

Conversei muito com o Fernando hoje.
Conversa muito profunda como a muito tempo a gente nunca teve....engraçado...sempre eu que tentava perssuadi-lo a seguir os caminhos aparentemente certos e hoje, este moço delicadamente cansado da realidade que pintou sua tela mental, e mudado por isso...que aliás nada tem de mediocre e sim tem muito de gigante imponente...bem...hoje foi ele quem me trouxe, além de lembranças queridas, a realidade totalmente obscurecida por alguma coisa que já deveria ter ido embora mas ainda está lá.

Exatamente em nuvens coloridas meus horizontes estão neste exato momento compondo a minha paisagem pessoal...mas a esparça mistura delas torna cinza a junção dessas nuances.
Fer me fez saber da existência do amarelo, do azul, do cor de rosa e do siena de dentro de mim...de alguma parte que não poderia sentir e nem ver por achar que tudo era uma acinzentada composição...agora sei das cores alegres e vibrantes que compõem a cena.

Assim como neste exato momento pela lógica exata da coloração não há um céu real em Porto Alegre, cinza fechado e sombrio como anuncia a paisagem e sim uma coleção de cores sensacionais transmitindo a qualquer um o efeito que este desejar...

o mesmo se aplica a minhas questões neste momento exato em que ponho fones nos ouvidos, olho as nuvens, ouço uma canção predileta qualquer e escrevo isso...começo a enxergar o azul do meu sombrio.

Sei agora que existem outras cores brilhantes neste contexto cênico que estou agora...começo a crer que vou enxerga-las também...

O mundo é maluco e incrível. Um ótimo lugar para viver e aprender a ser gente. Não há máscaras que não se vão à terra.

Bem antes minha mãe já me ensinava a olhar além...antes mesmo de eu sequer saber escrever...e hoje meu amigo me relembrou essa mesma lição...e eu demorei muito mais para assimilar do que quando era um recente ex bebê.

Sei que depois dessas nuvens todas tem um céu claro aguardando a sua hora de aparecer...resta agora contar as cores, olhar bem para cada sombreamento delas, ficar protegida de suas consequencias e ter paciência...a mesma de 3 anos atrás. A mesma de 10 anos atrás. A mesma de 16 anos atrás.

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Oleh

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