terça-feira, 4 de outubro de 2005

O tempo...eu não canso de me admirar de suas incríveis e nada práticas, funcionalidades.
Me desculpe caso você se encontrar aqui, neste contexto...

Hoje me contaram de um amor novo, pela descoberta, mas antigo em existência. Até brinquei pois, como feitos do mesmo açucar...eu, pela lógica tinha direito de provocar suspiros também.

Buenas, mais uma vez, num nível mais "emsimesmado" de consciência, voltei uns longos anos atrás. Praticamente uns oito, reformulei as mesmas cenas antigas e repassei os contextos.

Dentro do cenário. Olhei o todo e achei graça.
A dúvida: Pode um amor quase adolescente ser real e durar a tempo? Me invadiu esse clima antigo e comecei a olhar o contexto atual, a revelação do momento como que um delicado tufão preso a tempos dentro das atmosferas estranhas do viver.

Achei graça novamente.Olhei para mim e lembrei do meu primeiro namorado. Dessa época onde se faziam suspiros de açucares familiares. Será que o amei. As vezes acho que, dentro dessa confusão toda que sou por default, não posso reclamar de nunca ter amado alguém, e muito e tanto...a ponto de fazer a vida atual seguir seu curso com graça matriz, mas sem as cores dessa época.

No momento em que vi a frase "pessoa certa", pensei no meu certo. Na minha pessoa certa. Ri de mim que não acreedito nisso e me perguntei porque fico só.

Espero meu primeiro namorado personificado num cara qualquer perdido nas ruas chatas de primavera...ou realmente não quero isso.

Me lembrei dos dias doces. De uma coisa que, ainda que primaria dentro de mim. Talvez nunca mais terá a mesma intensidade.

Senti saudades de mim, dos planos. Mais ainda da macia e confortante impressão que jamais tive, depois deste, de companhia certa.

Lembro-me que cheguei perto do casamento. Com o mesmo medo de hoje mas confortadamente certa da impossibilidade...seria tudo tão diferente..absolutamente tudo. Acho que não me sentiria confortável nesse futuro modificado que viveria hoje se, a tempos atrás, tivesse aceitado os fatos.

Ai comecei, como desarticuladora de romances que sou, a discecar a situação: Na medida das circunstancias da época, tudo era morno e acolhedor porque houveram sonhos, construções de esboços futuros e absoluto empenho para fazer as coisas acontecerem. Um ano intensamente vivido de buscas e de achados. Bem como de perdas e danos.

Olhando isso, percebo tão claramente a resposta da alma em relação a essa coisa toda. Coisa minha, deles, delas...o que faz diferença, acima de tudo é a qualidade das vivências, as trocas, as histórias bonitas e coloridas que marcam um capítulo a parte do enfadonho e indiscreto livro do viver.

Coisas que o tempo não traz de volta e que, por sua cruel sutileza nos damos conta. As vezes tarde demais, como aconteceu com os personagens do primeiro parágrafo.

Comigo? Não sei.
Penso que, a diferença entre nós é mínima mas definitiva: Amamos as histórias e seus
personagens. Nos seus cotidianos inesquecíveis se fez estilos, sonhos e vários desejos de felicidade.

Hoje resta a cinza fofa da lembrança e a vontade de ter alguma coisa com essa textura para tocar. Ainda que tudo esteja diferente, amadurecido, envelhecido pela correria diária que nos impede de sonhar. E a certeza marota vem brincar com as idéias: Não faltam gentes para amar, viver histórias e criar raizes. Falta a intensidade exata de bons relacionamentos.

Com doses de vontade de fazer acontecer, coragem para absorver tudo que dele verter e, acima de tudo, capacidade para recomeçar, se for preciso.

Afinal de contas, ainda que tentemos subverter a lei etérea que nos circunda, ela é exata em sua excelência: Ninguém é feliz sozinho. Dinheiro é pancada, sucesso é maravilhoso, familia é confirmação de existência mas, ainda assim, amar é fundamental.

Sem afetações teledramáticas ou passionalidades adoecidas mas pela simples e pura etmologia do sentimento descrito com realidade.

Ele se libertou hoje...e eu vi voar alguma coisa...e ela não voltará mais.

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Oleh

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