segunda-feira, 17 de janeiro de 2005

Era um sábado comum, de afazeres comuns e liturgias comuns. Não fosse o fato de, pela primeira vez, após intermináveis aulas de canto lirico, iria a mocinha se apresentar cantando uma pequena ária de Bethoven: Óde à alegria.
Anunciado a apresentação, certo temor subiu-lhe as pernas, um rubor incessante incriminava a total novidade a que era imposta e o frio na barriga aconteceu.
Subindo ao palco, visualizou todos e ao som da nota introdutória à sua vez...enfrentou o frio que sentia dentro de si e terminou por fazer o que havia se proposto.


Essa até então era uma das únicas e raras manifestações de frio na barriga que eu havia sentido.
Não fosse hoje pelo seu aparecimento após uma semana de total silêncio, quando enfim resolveu, ele, falar comigo.
Pisca a tela e esfria me por dentro.
Não sou dada a muitas dificuldades de me expressar e muito menos de saber o que falar, no entanto, as palavras me esvairam e tudo parecia pouco lógico. Os monossílabos começaram a enlouquecer minha cabeça sem me passar uma saída amena para aquele diálogo.
Marcamos um encontro...e isso encheu meus olhos d'agua imaginando que eu não sei o que farei. Sei que devo ficar bonita para ele, sei que devo falar coisas legais mas parece que ao encontrá-lo as palavras se tornarão dialetos inteligíveis e acabarei por não me fazer compreender.
Tenho medo de fazer tudo errado. Me apreendo, repasso textos e busco calma. Será que deveria falar novamente a respeito de nosso passeio?
Normalmente não falaria...mas será que devo? Acho que não. Devo tentar ser o máximo de "eu" possivel. Ainda que me rasgue em indagações internas.
Frio na barriga. Que vontade de fazer tudo certo, dizer tudo como tem que ser dito e ser o que eu realmente devo ser.
Mas tudo emudeceu hoje a tarde e parece que todo o chão vai me faltar.
Frio na barriga...tudo o que eu queria. E agora...depois do frio vem o tremor...e se eu jantar com ele e derrubar tudo, cair do salto...extrema em desajeito.
Nervosos frios na barriga. Sejam bem vindos a me perseguir. Espero nunca deixar de te-los. E reformatar a minha vida a partir dessa sensação desconcertante e desajeitada.
Conto as horas. Ele estava ali, eu o via mas não tocava. Ainda vejo e não toco. Mas ele me vê.
Frio na barriga...não vá longe de mim.

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Oleh

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