quarta-feira, 29 de setembro de 2004

Uma mensagem vinda da internet

Vou te dizer o que penso de amor:
Amor é uma coisa antiga, tão antiga que o século que vivemos ainda não consegue entender com a exatidão necessária e coração disposto.

Como pode entender de amor um jovem que passa suas tardes e noites escolhendo sua amada pela tela de uma tv, e nessa escolha passa por tantos rostos e é um tal de cola, manda e-mail, manda foto, responde questionários, marca encontro, se decepciona, encontra outra, se esconde daquela e outras coisas que fica difícil qualquer tipo de relacionamento assim.

Antigamente o leque de opções, por ser restrito trazia mais fidelização aos sentimentos.
A gente conquistava mais, entendia mais, deixava passar pequenos defeitos com mais facilidade.

Hoje não. Tudo obedece um padrão mínimo imposto pela enorme gama de corpos soltos em orkuts, salas de bate papo e mensageiros instantâneos.
É tanto lugar pra encontrar o par perfeito que acabam perdendo o alvo no meio do caminho.
Nem o vemos, nem o sentimos e nunca amam.

Se amor é convivência como ter amor se não passam para o real o afã do virtual?
Querem enlouquecidamente conhecer, encontrar, beijar e ser felizes mas em que ponto da história da vida houveram relacionamentos duradouros senão por longo tempo de conhecimento?

Final feliz virtual?
Deve haver, um ou outro. Certamente de pessoas que não se "ilimitaram" e, ao contrário de muitos, deixaram o deslumbre da variedade de lado e buscaram um único corpo que logo conseguiram converter em rosto, coração, sentimentos.

Mas é dificil, o mundo está rápido. Inventam muitas coisas para aproximar sem perceber que distanciam de tudo e de todos.
Ilham-se em sonhos, e desses sonhos fica a sobra de uma solidão incontinente, vazando pelos sites a fora, sem cessar.
Até quando isso tudo vai acontecer e não vão perceber que o amor está longe disso.

Ensinam a chegar a marte, mas não ensinam a chegar no coração.
Será isso tão impossível?
Mas é fato polêmico. Qualquer rodinha de amigos, qualquer pessoa pode responder que, ao menos um dia questionou sua vida amorosa desde que deixou de buscar no real.

Uma sensação vazia isso sim. Depois das janelas fechadas as portas realmente se abrem e passam a se ver só.
Exatamente como estavam no início de tudo.
É tanta gente, tantos corpos, tantas opções, tantos e incessantes destrinchar de personalidades (muitas vezes forjadas) que é tão difícil, cansativo, petulante e soberba sua definição.

Ainda que o mundo evolua de tal modo a teletransportar no momento em que conhecem virtualmente alguém, ele nunca vai tirar o gostinho do primeiro olhar, do descobrir os gestos e advinhar as preferências pelo jeito do outro.
Nada substitui o real. Ainda que a facilidade seja grande. Só no real poderiam ter uma vaga idéia do amor
.
Enquanto isso a busca incansável continua. E nessa troca de imagens jpg até quanto durar a sorte, os corpos indefinidos continuam se buscando, encontrando e perdendo.

A juventude...eterna criadora de casos e soluções...não encherga o simples: O amor não se vê, não tem extensão e nem se mede em bitmaps.
O amor é mais que isso e para sabe-lo, é necessário senti-lo com suas cascas grossas e seus medos, até ultrapassar para a outra esfera.
Esfera real, limpida e franca. Sem dpi's.

Ou entao o amor não é desse século mesmo...E num futuro virará uma lenda, a paixão será a unica definição lógica para tal sentimento nobre e ninguém será infeliz.
Por que ninguém saberá mesmo o que perdeu por desgaste...acho que nunca saberão...talvez no dia em que faltar luz, e as pessoas sairem de casa e se verem, deixando de ser meros corpos em ebulição juvenal.

E nesse black-out começarem a enchergar suas vidas sem alta resolução e ouvir suas vozes sem metaliza-las.
Será preciso tudo escurecer para o óbvio se fazer visível: O amor nasce de convivência e costume.
Se deriva e não saltita de tela em tela.

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Oleh

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