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O gótico solar agora habita em mim

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  Habitei, por um longo ciclo, um casulo feito de silêncios necessários. Este lugar onde estive não foi apenas um endereço; foi o meu laboratório alquímico, o solo onde enterrei versões de mim que já não respiravam para ver nascer a bruxa que hoje caminha com pés firmes e coração desarmado. Dizem que o gótico é a celebração do escuro, mas hoje entendo que só quem mergulhou nas sombras mais densas da própria linhagem,  honrando as perdas, os lutos e as distâncias, é capaz de reconhecer a verdadeira luz. Não aquela luz que cega, mas a luz que aquece. Uma calidez que não apaga o meu mistério, mas o ilumina. Neste solo, venci batalhas que ninguém viu. Curei o medo da rua, recuperei a soberania do meu corpo que corre e que vibra, e transformei o peso do passado em fluência de alma. Estudei o humano enquanto redescobria o meu próprio instinto selvagem. Parei de beber a angústia em taças cheias para começar a beber a vida em goles lentos de presença. Subi a montanha que o destino me ...

Caixas

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Hj eu senti dor. Fazia tempo que não esvaziava to meu ser de possibilidades para dar espaço aos maus tempos e angustias que marcaram meu ser e estar por muito tempo. No inicio parecia chateação por imaginar que a veterinária das minhas gatas não quer atende-las por quê nunca gostou de mim e aproveito o fato de eu mudar de cidade para cortar os laços... Depois, uma reunião cheia de pequenos problemas que se anuncia, uma colega cansada de um projeto maçante, a necessidade urgente de comer coisas que entorpecem e a percepção desse caos armado me fizeram estar aqui, calada, inteiramente apática e voltando a alguns começos que eu jurava que haviam finalizado. Tem caixas que não devemos abrir. Tem caixas que não escolhemos abrir e tem caixas que se abrem sozinhas, ao menor contato com nossa essência.

Sociedade

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  "Oh, it's a mystery to me We have a greed with which we have agreed And you think you have to want more than you need Until you have it all you won't be free Society, you're a crazy breed Hope you're not lonely without me... When you want more than you have You think you need... And when you think more than you want Your thoughts begin to bleed..."

Doce outubro

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E cá estamos nós, escrevendo um post no celular ( o que vai me render uma perda de produtividade na escrita violenta), totalmente introspectiva, poética e descontextualizada com as narrativas atuais. Ainda que dispersa, acida e de certa forma belicosa para mim, pois deixei de lado a cristica e me vesti de poetisa, percebo que há um padrão de introspeção nos dias 6 de outubro. Olhei esse mesmo dia, anos e anos atrás e vi poesia rexheadas de densidade e introjeção. Com o tom e tema que vivo agora, nesta hora e ano. Há uma ciclicidade na minha dor que faz com que os primeiros dias de outubro sejam pesados e frios. Hoje pesa e faz frio. Escuto Jewel, o primeiro álbum de 1995 que eu ouvia e idolatrava a 25 anos atrás.  Me reconecta a dores antigas, algumas superadas e outras revisitadas neste exato momento em que gasto meus dedos escrevendo várias vezes a mesma palavra até acertar a gramática. Hoje pesa e faz frio porque não caminho só. Tenho como companhia uma boa dose de sentimentos d...

Raiva

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Hoje é sexta-feira. Ainda bem. Ela traz a promessa de ficar mais dentro de mim mesma, envolvida em meus pensamentos e historias interiores. Entender um pouco mais desse novo universo que me tornei. Estou com raiva. Raiva de mim. É engraçado estar com raiva pois ontem na dança isso ficou tão emocionalmente transparente. Meus pulos leves, controlados, cuidadosos quase que como o de uma bailarina. Controle. Raiva controlada. Fico pensando e exercitando dentro de mim essa emoção. Teve um gatilho que sinceramente talvez não seja o motivo real e único dessa revolta toda dentro de mim. É engraçado como a gente é maluco, como já diria meu professor. Eu tenho raiva. Sei que é de mim. Mas existe um outro que me faz enxergar essa raiva de forma cristalina e por isso não quero vê-lo, nem ter qualquer tipo de contato. Tenho raiva de mim por ser irritantemente espontânea (para mim); por ter me deixado compartilhar as emoções mais sensíveis destes últimos dias com as pessoas ao redor e em...

Chuva fria

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Chove lá fora, meu pão cheira queimado no forno e eu não tenho ideia de que roupa vou colocar para trabalhar. Ontem fui bem bonitinha e hoje estou com vontade de repetir a cor, azul marinho, num contexto galocha, jaqueta termica e jeans...Nada glamouroso. Ontem chorei bem pouco, almocei com um colega e ri. Consegui marcar psicologa para amanhã e tudo me parece mais possivel hoje. Voltei a pensar em partidas, em seres que vem e vão de nossas vidas e deixam um legado importande de aprendizados e experiencias. Vivo alguma coisa parecida com um humano essa semana. Mas a vida dele segue pulsante e colorida...Nesse caso é a distancia mesmo que irá acontecer. Eu sigo teimosa em aceitar essas partidas, sejam elas em que nivel for. Não sei se essa resistencia toda é normal no ser humano ou se sou eu que na minha orfandade adolescente, desenvolvi apego demais e medo demais de perder aqueles que amo...enfim... Hoje, contrariando todas as insanidades possiveis que esta minha mente po...

Da ironia das emoções

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Cinco da manhã novamente e agora está claro para mim que troquei a meditação por "escrevinhação". Meu professor de vedanta fala que nem sempre a meditação é para a gente ou para aquele momento da gente e, talvez eu esteja nesse momento de precisar falar e não silenciar. Tem um volume imenso de emoções e energias estranhas andando por dentro do meu corpo. talvez o fato de estar no segundo dia de menstruação e ter um utero triste enlutado, também ajude a bagunçar um pouco mais as coisas aqui dentro. Sempre pensei demais. A vida toda. Desde que me conheço por gente. Sempre precisei de respostas, de racionalização e fatos para compor meus dias e me vejo sem possibilidade alguma de agarrar a logica e razão desses sentimentos todos. O engraçado, para não dizer irônico, é que o fato da morte da Boolie acordou muito mais do que uma tristesa pela não presença dela nos meus dias. Me tirou alguns véus de ilusões e está, talvez pela fragilidade emocional que me encontro hoje,...

Semana de 30 dias

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Hoje é quarta-feira... Meio da semana. Mas a intensidade das emoções, acontecimentos e re-significações deram a ela uns 30 dias a mais. Já fiquei cansada, deprimida, feliz, fui para o inferno e voltei trazendo amigos, meditei e vi coisas que não queria ver. Aceitei e dispensei. Trabalhei, perdi e ganhei. No computo disso tudo uma coisa é certa: Estou meio cansada e meio em paz. De certa forma, existe uma superação de limites fortíssima acontecendo aqui dentro. Ainda confusa, meio sem norte mas com a certeza de que vou saber escolher as melhores escolhas. Tenho medo. Sim. Medo talvez seja o maior adjetivo desta semana de 30 dias. Medo de não dar conta, de não conseguir, de errar, de não saber distinguir o que é meu e o que é do outro. Mas ao mesmo tempo, de uma forma singela e protetora, acho que estou caminhando bem. A meditação, o estado de pensar focado e a certeza de que tem coisas que me assustam identificadas me ajuda a definir minhas estratégias e caminhos. ...

Iris por mim mesma: A viagem

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E cá estou eu mais uma vez. Há, no ar que eu respiro, nos meus movimentos leves e livres e nas paisagens por onde passo, uma novidade, uma vitoria, um suspiro de possibilidades. Me tornei nova, modifiquei meu corpo e espírito e sigo modificando com o intuito de ser melhorzinha e ter um legado mais altruísta para deixar aos meus. É engraçado que, a um ano atrás eu me lembro. Em um retiro espiritual em fevereiro onde eu me deparei com a minha unica versão. A real Iris sem máscaras, sem desculpas e sem possibilidades de ser plena. Foram dias (quantos dias sem fim...) que eu chorei muito, fiquei profundamente triste com o que vi e me senti falha, incompleta de mim mesma e detestei cada nova nuance dessa Iris crua que se mostrava para mim. Eu tinha apenas duas alternativas mais próximas a seguir, dentro daquilo que sou culturalmente e socialmente falando: renegar profundamente essa real pessoa que se apresentava a mim, tão perdida, triste e sofrida, para seguir vivendo uma falsa ilu...

Sobre almas, poetas e artistas

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Há dias estou com uma poesia na cabeça. Dessas que a gente cria a partir de alguns olhares sobre a vida. Sempre que volto para casa, depois do trabalho e da academia, eu opto por uma estrada mais calma, com uma paisagem mais tranquila, onde sigo a direita nos meus 80km/h justamente para pensar na vida. Foi num desses pensares solitário no início da noite que me vieram questionamentos sobre mim e minha relação com o mundo num contexto geral: pessoas, lugares, historias e como todos estes aspectos se fundem e me tornam viva. Aí me dei conta de várias coisas de alma e me percebi poeta. Sim, me percebi com alma de poeta, daqueles bem sensíveis e atentos às questões de dentro, que platonizam, observam e não tocam. Apenas veem, interpretam e transbordam no papel suas visões. Me dei conta de que alma de poeta é uma alma que absorve, olha profundamente, estuda, se encanta e se espanta mas não toca. Vive dentro do seu mundo inserindo cada vez mais o mundo dos outros no seu contexto s...

Uma carta holográfica aberta a você

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Basta a gente nascer para correr riscos físicos e psicologicos, mas ao longo do tempo crescemos e ficamos fortes.  Aprendemos a nos cuidar mas não ficamos imunes de correr riscos psicologicos e se machucar para valer nessa vida a fora, através de cada pessoa que conhecemos, cada troca afetiva equivocada que muitas vezes, com a maior das boas intenções, vivenciamos e enfim. O resultado disto tudo certamente são grandes muros e grades bem pontudas circundando nosso universo estabilizado que criamos com nossas histórias tristes. Isto é um fato que não se isola. Todas as vezes que a gente se expõe, que deseja, sonha ou mesmo que corra atrás sem saber ao certo o caminho exato, estamos sujeitos a sofrer avarias durante o percurso. Faz parte do nosso crescer enquanto seres humanos, amplia nossa natureza e nos deixa um pouco mais próximos de alguma coisa que eu poderia ousar chamar de divina. Mas a gente não toma jeito: A gente espera demais do outro, sonha demais com o outro ...
Hoje foi mais um dia estranhíssimo para a coleção de dias estranhos...a auto-hipnose tem me ajudado significativamente a dormir cedo e melhor. Com isto, as olheiras e a sensação de areia nos olhos que me seguiam durante o dia se foram dando lugar a noites interessantemente povoadas por meus velhos sonhos malucos. Meus amigos maremotos voltaram mais ousadinhos e tentaram afogar uma amiga que eu salvei...geralmente eles viravam marolas quando chegavam perto de mim mas desta vez eu mergulhei neles para resgatar a criatura que não largava a porta do elevador coberto de agua...sim...elevador afogado combina com meus sonhos. Esta noite sonhei novamente com a classica cena: Minha irmã me sacaneia. Foi engraçado pois eu estava indo a um show de hard rock e encontrei pessoinhas das mais variadas: desde JosiRenatinha até o Jorjão que eu e minhas amigas adolescentes pagavamos pau quando tinhamos 16 e ele...hum...talvez seus 30... Era engraçada a cena...na vida real as meninas tentavam me ar...