O gótico solar agora habita em mim
Habitei, por um longo ciclo, um casulo feito de silêncios necessários. Este lugar onde estive não foi apenas um endereço; foi o meu laboratório alquímico, o solo onde enterrei versões de mim que já não respiravam para ver nascer a bruxa que hoje caminha com pés firmes e coração desarmado. Dizem que o gótico é a celebração do escuro, mas hoje entendo que só quem mergulhou nas sombras mais densas da própria linhagem, honrando as perdas, os lutos e as distâncias, é capaz de reconhecer a verdadeira luz. Não aquela luz que cega, mas a luz que aquece. Uma calidez que não apaga o meu mistério, mas o ilumina. Neste solo, venci batalhas que ninguém viu. Curei o medo da rua, recuperei a soberania do meu corpo que corre e que vibra, e transformei o peso do passado em fluência de alma. Estudei o humano enquanto redescobria o meu próprio instinto selvagem. Parei de beber a angústia em taças cheias para começar a beber a vida em goles lentos de presença. Subi a montanha que o destino me ...