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Todo carnaval tem seu fim

​ São tantas intensidades percebidas, tantos sentidos sem sentido e emoções desnecessárias que ainda não sei nomear nada. Só existo é de certa forma com uma gratidão tão grande que cobre até as coisas que eu já não conseguia amar. A palavra de início era performance e a de saída, obrigada.

A duas auroras do solo

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 Hoje, faltando 2 dias para meu aniversário, acordei meio diferente. Embora a dor de cabeça clássica da manhã esteja presente, fruto de uma boa noite de desidratação e sono, eu sinto o solo plano que existe depois da montanha muito perto.  Eu já consigo ver sem aqueles fenômenos visuais de distância que nossos olhos trazem as coisas olhadas de longe. O solo já toma proporções imensas e a natureza ao redor é objetiva, rica e imensamente real.  Não sinto saudades né da escalada ao subir, nem da observação da paisagem onírica que o cume me permitiu e tão pouco da descida dessa montanha que por tanto tempo habitando, hoje me é familiar. Vejo o pouso solo e as possibilidades.  O banho, a comida, a conversa com gente que tem dramas tão intrínsecos a sua gente que vão ser histórias de embalar sonhos.  E o sono… ah… o sono despreocupado de quem venceu a etapa com vida, pois a montanha é traiçoeira e qualquer deslize poderia ter se transformado em último suspiro.  J...

A Geometria dos Ciclos: Entre Pedras e Epifanias

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Às sete badaladas da manhã, enquanto o café esfria e o silêncio da casa permite que os espectros do pensamento decolem, percebo o quanto esta semana foi um mergulho no abismo do caos.  Recentemente, a impermanência decidiu tomar forma e ditar suas próprias regras implacáveis, sem distinção: do ambiente corporativo aos planos do feriado, atravessando cada nervura da minha vida pessoal.  Fui confrontada com a visibilidade da falta, aquela impossibilidade nua, crua e fria de mantermos o controle sobre o que nos cerca. Foi incrível, mas foi, acima de tudo, um esgotamento da alma. Estamos na semana que antecede meu aniversário, no dia 10. E, nesse limiar, a imagem de uma montanha se impôs diante de mim como um monumento de pedra e sombra. Para mim, cada aniversário é a conquista de um monte. Às vezes estamos em plena ascensão, outras vezes, na descida.  Na subida, as dificuldades são mestras cruéis; elas nos trazem sabedoria, moldam nossas histórias nas cicatrizes que deixam e...

Pesadelo Feliz

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Hoje acordei de um pesadelo feliz. Desses que, quando voltamos a consciência ordinária, percebemos que nada do que foi visto pode acontecer, já passou, não tem espaço essa tragédia. E  o que resta é analisar os símbolos e honrar a historia toda vivida até esse ponto, que fez com que o pesadelo não passasse de uma ode a redenção de aspectos sombrios dessa vida. Então tudo ficou simbólico, tênue, sagrado. Cada arquétipo, cada cena daquele "sonho ruim" se transformou em respeito e honra a um caminho que se fez. Fala ontem sobre Jung, individuação... dormi ouvindo sobre o tema e começo a perceber claramente que, aquele pedido ao "deus" de sabedoria e lucidez que eu fiz do alto dos meus 8, 9 anos se desenrolou até chegar aqui. Olhei todos os caminhos que passei, os mágicos e os comuns, e no final das contas era aqui onde eu deveria ter chegado e exatamente nessa hora. Fui pontual. Vencendo marcos e medos, cá estou eu. O que me espera eu não sei. Sei que não há louros de ...

Toc... Toc...

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Quem é você que apareceu aqui, sem mais nem menos, nessa hora da noite falando de lugares que não existem, tempos que fazem parte de uma imaginação fértil qualquer e de, sonhos?!  Que sonhos são esses que ultrapassam a barreia lunar e habitam o cotidiano fazendo toda a ordem se desfazer, cenários se erguerem e sensações indescritíveis aparecerem? Quem você pensa que é para romper o véu do comum e transformar o normal em obsoleto de desnecessário, que faz com que a vida ganhe cores mais quentes e o pensamento se confunda com devaneios? Loucura? Você ousa chamar de loucura o lugar comum que antes habitava e acha que esse modelo distópico é que realmente faz sentido? Não... não é possível que a essa hora sombria do dia, quando tudo está perdidamente contextualizado, previsto e sacramentado, você vem e consegue derrubar todos os planos de uma forma... perfeita! Não me restam argumentos. Você me rendeu e eu compro a sua promessa.

A reinvenção da vida

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 A vida é uma coisa louca. Ela vem e vai não somente no folego, mas nas mudanças internas, libertações, reconhecimentos, mudanças de rotas e revelações que cada suspiro nos permite testemunhar. A vida é ouro para quem quer trata-la como preciosidade. É o pedaço alquímico valioso que temos em mãos pronto para ser transformado ao nosso comando e vontade. é puro movimento. E quando tudo parece estar esgotado e terminal, lá vem ela novamente reinventada e pronta para causar novos impactos.

O pós do apocalipse

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É como se fosse um dia depois, nos escombros. A gente procurando reconstruir aquilo que ainda está de pé e lamentando as ruidas daqueles pilares que não irão mais se erguer. É um misto de morte com um incessante folego de vida, de querer, de ter por conta de...sabe lá oque, emergir da poeira e rastros desse pequeno apocalipse doméstico. Ainda há muito o que vasculhar, recuperar e se despedir. É um dia de trabalho intenso nesses escombros que se apresentam no cenário. E o mais sensato, ainda que automático, pois está desprovido de emoções reais, é levantar e recomeçar no novo mundo. Seja ele como for.