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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

O gótico solar agora habita em mim

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  Habitei, por um longo ciclo, um casulo feito de silêncios necessários. Este lugar onde estive não foi apenas um endereço; foi o meu laboratório alquímico, o solo onde enterrei versões de mim que já não respiravam para ver nascer a bruxa que hoje caminha com pés firmes e coração desarmado. Dizem que o gótico é a celebração do escuro, mas hoje entendo que só quem mergulhou nas sombras mais densas da própria linhagem,  honrando as perdas, os lutos e as distâncias, é capaz de reconhecer a verdadeira luz. Não aquela luz que cega, mas a luz que aquece. Uma calidez que não apaga o meu mistério, mas o ilumina. Neste solo, venci batalhas que ninguém viu. Curei o medo da rua, recuperei a soberania do meu corpo que corre e que vibra, e transformei o peso do passado em fluência de alma. Estudei o humano enquanto redescobria o meu próprio instinto selvagem. Parei de beber a angústia em taças cheias para começar a beber a vida em goles lentos de presença. Subi a montanha que o destino me ...

Todo carnaval tem seu fim

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​ São tantas intensidades percebidas, tantos sentidos sem sentido e emoções desnecessárias que ainda não sei nomear nada. Só existo é de certa forma com uma gratidão tão grande que cobre até as coisas que eu já não conseguia amar. A palavra de início era performance e a de saída, obrigada.

A duas auroras do solo

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 Hoje, faltando 2 dias para meu aniversário, acordei meio diferente. Embora a dor de cabeça clássica da manhã esteja presente, fruto de uma boa noite de desidratação e sono, eu sinto o solo plano que existe depois da montanha muito perto.  Eu já consigo ver sem aqueles fenômenos visuais de distância que nossos olhos trazem as coisas olhadas de longe. O solo já toma proporções imensas e a natureza ao redor é objetiva, rica e imensamente real.  Não sinto saudades né da escalada ao subir, nem da observação da paisagem onírica que o cume me permitiu e tão pouco da descida dessa montanha que por tanto tempo habitando, hoje me é familiar. Vejo o pouso solo e as possibilidades.  O banho, a comida, a conversa com gente que tem dramas tão intrínsecos a sua gente que vão ser histórias de embalar sonhos.  E o sono… ah… o sono despreocupado de quem venceu a etapa com vida, pois a montanha é traiçoeira e qualquer deslize poderia ter se transformado em último suspiro.  J...

A Geometria dos Ciclos: Entre Pedras e Epifanias

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Às sete badaladas da manhã, enquanto o café esfria e o silêncio da casa permite que os espectros do pensamento decolem, percebo o quanto esta semana foi um mergulho no abismo do caos.  Recentemente, a impermanência decidiu tomar forma e ditar suas próprias regras implacáveis, sem distinção: do ambiente corporativo aos planos do feriado, atravessando cada nervura da minha vida pessoal.  Fui confrontada com a visibilidade da falta, aquela impossibilidade nua, crua e fria de mantermos o controle sobre o que nos cerca. Foi incrível, mas foi, acima de tudo, um esgotamento da alma. Estamos na semana que antecede meu aniversário, no dia 10. E, nesse limiar, a imagem de uma montanha se impôs diante de mim como um monumento de pedra e sombra. Para mim, cada aniversário é a conquista de um monte. Às vezes estamos em plena ascensão, outras vezes, na descida.  Na subida, as dificuldades são mestras cruéis; elas nos trazem sabedoria, moldam nossas histórias nas cicatrizes que deixam e...